25.2.26

Lançamento de Livro: "Etapas de um Percurso: 50 anos de atividades de uma historiadora da arte no Brasil (1972 – 2022)"

Livro aborda a trajetória de Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, especialista na obra do Aleijadinho, autora de livros referenciais para os estudos da História da Arte Sacra Brasileira, dos séculos XVI ao XIX.







 

       Será lançado no sábado, 14 de março, das 18h às 20h, no Sobrado Ramalho (sede do IPHAN e do IHGT), na Rua da Câmara, 124, em Tiradentes (MG) o livro “Etapas de um percurso: 50 anos de atividades de uma historiadora da arte no Brasil, 1972-2022” (Editora Literíssima, 2025) que percorre a trajetória profissional da professora e pesquisadora, Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, especialista na obra do mestre Aleijadinho e autora de livros referenciais para os estudos da História da Arte Sacra Brasileira, dos séculos XVI ao XIX, notadamente sobre o Barroco e o Rococó.

     Escrito pela historiadora, o livro parte de sua formação na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, na década de 1960, onde também defendeu sua dissertação de mestrado sobre os Passos do Aleijadinho em Congonhas (MG), revelando dentre outros aspectos, que o escultor trabalhou com auxiliares, na execução do conjunto das 64 imagens, dispostas nas capelas. Sua pesquisa  possibilitou a mudança na disposição original dos grupos escultóricos das capelas em Congonhas. Sobre as décadas de 1970 e 1980, a historiadora nos relata o trabalho desenvolvido com o poeta e ensaista, Affonso Ávila e a colaboração na Revista Barroco, em Belo Horizonte e também, o trabalho no Setor de Cidades Históricas da Fundação João Pinheiro quando assumiu a Superintendência de Museus do Estado de Minas Gerais, para montar o Museu Mineiro (inaugurado em 1982).

A partir da mudança para o Rio de Janeiro, já atuando no IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Myriam Ribeiro idealizou e coordenou por duas décadas, o “Inventário Nacional de Bens Móveis e Integrados”, com o levantamento dos acervos das igrejas do período colonial no Brasil. Sua experiência e formação profissional foram compartilhadas em sua atuação como docente, na UFMG (1973 a 1986) e na UFRJ (1987 a 2007); em cursos independentes de História da Arte que ela idealizou em museus, como o Museu Nacional de Belas Artes no RJ (1992 a 2013) e pós-graduações em História da Arte Sacra (2005 a 2014) e na organização de Congressos do Barroco no Brasil (1983,1989) além de ter assinado a curadoria do “Módulo do Barroco”, na Mostra do Redescobrimento (2000), no Parque Ibirapuera em SP. Também organizou Congressos Ibero-Americanos e Colóquios Luso-Brasileiros promovendo o intercâmbio entre pesquisadores brasileiros e portugueses.

A elaboração de Aleijadinho e sua oficina: Catálogo das esculturas devocionais (Ed. Capivara, 2002), escrito em conjunto com os pesquisadores do IPHAN, Olinto Rodrigues dos Santos e Antônio Batista dos Santos, com 128 obras de Aleijadinho analisadas pelos autores foi outra contribuição da pesquisadora que nos relata que o catálogo sofreu censura na época, por meio de interdição judicial obtida por colecionadores descontentes com a não inclusão de suas obras no catálogo. A esse respeito, Myriam Ribeiro comenta: “Acredito que colocou um freio na proliferação de falsos, seu mérito principal a meu ver, juntamente com a sedimentação do conceito de “oficina” para as obras dos auxiliares.” O catálogo seria liberado pela justiça, seis meses depois, no ano de 2003, tendo recebido nova edição em 2008, constituindo referência básica sobre o assunto.

Os roteiros de visitação de monumentos históricos (2006 – 2018) para uso do público em geral dentro do Programa Monumenta do IPHAN, com guias que apresentam textos de síntese sobre as principais características do Barroco e do Rococó em igrejas de cidades brasileiras (Barroco e Rococó nas igrejas do Rio de Janeiro; Recife e Olinda; Ouro Preto e Mariana; São João del Rei e Tiradentes; Sabará e Caeté) constituem também leitura fundamental para os visitantes dos monumentos. Os guias integram a série Roteiros do Patrimônio e podem ser baixados gratuitamente, no portal.iphan.gov.br.


    



Lançamento do Livro “Etapas de um percurso: 50 anos de atividades de uma historiadora da arte no Brasil, 1972-2022”. 

Dia 14 se março (sábado): das 18h às 20h: Sobrado Ramalho (sede do IPHAN e do IHGT), na Rua da Câmara, 124, em Tiradentes (MG).



      Etapas de um percurso: 50 anos de atividades de uma historiadora da arte no Brasil, 1972-2022 pode ser fonte de inspiração para estudantes, pesquisadores e historiadores da arte no Brasil, reunindo conteúdo significativo sobre a memória do patrimônio histórico e artístico no país. Estão também previstos lançamentos no Rio de Janeiro, no dia 6 de maio no IHGB – Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e em Vitória (ES) em novembro.

Preço: 40,00 (quarenta reais)  ISBN: 978-65-5079-599-3    1ª ed.,2025, Editora Literíssima, Belo Horizonte, 126 pgs.

Apoio: IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e IHGT Instituto Histórico Geográfico de Tiradentes.



Informações e contato para entrevistas:

Mariana Tavares - marianatavares167@gmail.com  (31) 996 11 4678

 

 

 










 

19.1.26

Sessão Solene – 308 anos da elevação da Vila de São José del-Rei e 49 anos do Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes

Senhoras e Senhores,

É com grande honra que celebramos hoje os 308 anos da elevação da antiga Vila de São José del-Rei, atual cidade de Tiradentes, e os 49 anos do Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes. Esta é uma ocasião de júbilo e reflexão, pois festejamos a história de uma cidade marcada pela cultura rica, pelo povo acolhedor e criativo, e por um patrimônio pleno — edificado, móvel, imaterial, humano e ambiental — que nos distingue e nos orgulha.

O Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes, desde sua fundação, tem como missão defender e preservar esse patrimônio em todas as suas dimensões, garantindo que nossa memória e nossa identidade sejam respeitadas e transmitidas às futuras gerações.

Entretanto, não podemos ignorar os desafios que hoje se apresentam. Problemas ambientais como o desaparecimento das águas, a perfuração clandestina de poços artesianos, o desmatamento acelerado pela especulação imobiliária, a poluição de córregos e rios; questões urbanas como animais soltos nas ruas, trânsito complicado, ocupação indevida de calçadas, poluição visual, lixo e falhas na limpeza urbana — todos esses problemas têm uma raiz comum: a falta de educação, tanto de moradores quanto de visitantes.

A solução começa pela Educação: Patrimonial, Ambiental, Cívica, Financeira, Turística. Só educando mais e melhor poderemos preservar nossa cidade. Tiradentes já viveu os ciclos do Ouro e da Prata, que ruíram pelo excesso de exploração. Hoje vivemos o ciclo do Turismo, e precisamos trabalhar para que seja duradouro, sustentável e capaz de sustentar nossa economia sem destruir nossas riquezas.

E é fundamental lembrar: os problemas que enfrentamos são coletivos e só podem ser resolvidos coletivamente. A população deve se unir ao poder público, pois somente juntos conseguiremos superar os desafios e garantir um futuro melhor para Tiradentes.

O Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes reafirma seu compromisso de lutar pela preservação e pela valorização de nossa cidade, para que Tiradentes continue sendo um lugar maravilhoso de se viver e visitar.

Viva Tiradentes! Viva o Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes!


Henrique Rohrmann

Hino da Cidade de Tiradentes - Celebração da História e do Civismo



O Hino de Tiradentes – MG é uma ode à grandeza histórica e à vitalidade presente da cidade. Evoca o legado imortal de suas glórias passadas, que sustentam o sonho de liberdade simbolizado por Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira.  

Entre o ouro da Matriz, a pureza das águas do chafariz, os casarões coloniais e as oficinas de arte, resplandece a herança cultural que inspira gerações e reafirma o orgulho local.  

O hino celebra não apenas o passado, mas também a força e esperança do povo de Tiradentes, que preserva tradições enquanto projeta um futuro promissor. É um chamado ao civismo e à continuidade da identidade mineira.  

Poema de Paulo Terra e música de Adhemar Campos Filho, cujo centenário de nascimento celebramos em 2026.  

Viva Tiradentes, cidade de história e futuro!


Henrique Rohrmann



15.1.25

Auto de Criação da Vila de São José del Rei


O Auto de Criação da Vila de São José do Rio das Mortes, documento que registra a criação da dita vila em 19 de janeiro de 1718, por ordem do Conde de Assumar, Dom Pedro de Almeida e Portugal. Este documento oficializou a elevação do Arraial Velho de Santo Antônio do Rio das Mortes à categoria de vila, recebendo o nome de Vila de São José del-Rei. A escolha do nome foi uma homenagem ao príncipe Dom José, que na época era ainda uma criança e que futuramente se tornaria o rei Dom José I de Portugal.

Além disso, foi registrado o Auto de Repartição do Termo da Vila, que determinava o Rio das Mortes como a divisa natural entre a Vila de São João del-Rei e a Vila de São José del-Rei. Essa divisão territorial permaneceu válida até o final do século XIX.

Extravio e Recuperação do Documento
O documento original sofreu um longo processo de extravio. Ele foi retirado do Livro de Primeiro de Acórdãos de Criação da Vila de São José e, posteriormente, enviado ao Arquivo Público Mineiro. Não se sabe ao certo como, mas acabou sendo devolvido à cidade de Tiradentes. Contudo, as páginas específicas que continham o Auto de Criação e o Auto de Repartição foram parar na cidade de Cataguases, onde ficaram expostas em um museu local.

Essa situação gerou mobilizações para a recuperação do documento. Foi Humberto Paolucci quem teve o primeiro contato com o documento no museu de Cataguases e comunicou o fato ao pesquisador e sócio do IHGT Olinto Rodrigues dos Santos Filho. Com isso, iniciaram-se esforços junto à Prefeitura e à Câmara Municipal de Tiradentes para sua devolução. Embora o processo tenha enfrentado resistência inicial – já que o documento era considerado parte do acervo do museu –, uma ampla mobilização, incluindo a participação do também sócio do IHGT e, à época, diretor da Rede Globo Minas, Yves Alves, gerou grande repercussão, com destaque na mídia. Isso resultou na devolução do documento, reconhecido como a “certidão de nascimento” da cidade de Tiradentes.

Cerimônia de Entrega

A partir da iniciativa do IHGT para o resgate do importante documento, ocorreu a restauração feita pela Casa Rui Barbosa e, depois, uma cerimônia solene foi realizada no salão central do Fórum de Tiradentes para oficializar a devolução do documento. O evento contou com a presença de autoridades locais, como o presidente da Câmara, o prefeito e representantes da Fundação Roberto Marinho. Também esteve presente Estela Mauro, responsável pela guarda do documento em Cataguases e sobrinha do cineasta Humberto Mauro, e o prefeito de Cataguases, Milton Carvalheira Peixoto. Na ocasião, foi feita a reprodução e distribuição do conteúdo do documento aos participantes, marcando um momento significativo para a memória histórica da cidade.

Esse resgate reforça a importância da preservação de documentos históricos e do trabalho conjunto entre instituições e sociedade civil para garantir que esses registros permaneçam acessíveis às gerações futuras.