18.11.14

O Aleijadinho na Região do Rio das Mortes






Antônio Francisco Lisboa, dito o Aleijadinho (1738-1814), passou grande parte de sua vida em Vila Rica, onde nasceu e morreu, mas, em alguns períodos, viajou a outras vilas e arraiais mineiros para executar obras ou apenas fazer louvações. Assim sendo, trabalhou em Mariana, Sabará, Morro Grande, Congonhas, Fazenda da Jaguara e São João del Rei.

O primeiro biógrafo do artista, Rodrigo José Ferreira Bretas (1814-1866) cita em seu trabalho, publicado no “Correio Oficial” de Minas, em 1858, que “O Aleijadinho exerceu sua arte nas Capelas de São Francisco de Assis, de Nossa Senhora do Carmo e das Almas, desta cidade [Ouro Preto] e Capela de São Francisco de Assis de São João del Rei...” e ainda que “há quem afirme que é em Congonhas do Campo, e em São João del Rei que se devem procurar as obras primas fazendo especial menção da magnífica planta da Capela de São Francisco daquela cidade e do bem acabado da escultura e talha do respectivo frontispício”. Portanto, desde meados do século XIX já se tinha conhecimento de que Antônio Francisco Lisboa havia trabalhado pelo menos na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de São João del Rei.




Embora toda a documentação contábil da Ordem Terceira Franciscana tenha desaparecido, resta-nos o livro de termos, ou seja, de atas da ordem, onde a certa altura (1774) aparece o assunto do projeto para uma nova igreja, e diz que “foi visto o risco que se tinha mandando fazer a Vila Rica”. Em 1785, quando se pensa em “riscos” complementares aparece “o sobredito risco que serve de suplemento ao de Antônio Martins”, o que foi rasurado para Antônio Francisco Lisboa. Esta ata citada já deu muita discussão, porque originalmente o nome era Antônio Martins e foi rasurada para Francisco Lisboa, com letra de época e, certamente, feita por alguém presente a reunião. Posteriormente, se mandou encomendar ao mesmo artífice o “risco” para o retábulo do altar-mor. Ambos os projetos foram alterados na execução, o arquitetônico, por Francisco de Lima Cerqueira, mestre de obra português, que iniciou a construção da capela; e o artístico, por Luiz Pinheiro de Souza, entalhador responsável pela execução do retábulo.


Livro de receitas e despesas no qual consta o pagamento ao Mestre
Aleijadinho. Documento, hoje, sob a responsabilidade da diocese.


Mas o certo é que Antônio Francisco deixou sua marca inconfundível não só na traça da igreja, mas no projeto dos retábulos colatareais, em imagens de santos, principalmente, na magnífica portada de pedra sabão que rivaliza com a sua congênere de Vila Rica.

Do projeto original para São Francisco, localizado na década de 1940, no Rio de Janeiro, pouco se aproveitou, pois Lima Cerqueira arredondou as torres quadrangulares, eliminou os corpos laterais, arredondou a nave, além de outros detalhes. Mas lá no projeto está o esboço da bela portada e a escultura da empena. As torres do projeto foram, possivelmente, reutilizadas no projeto de 1809/10 para a Matriz de Santo Antônio da Antiga Vila de São José, hoje Tiradentes.

Na bela igreja rococó de São João del Rei, vamos encontrar os traços do Aleijadinho na portada executada lá pela década de 1780, onde os serafins sobre quartelões, as armas da ordem e imagem da Virgem Maria, assim como rocalhas, acantos e flores que saíram das mãos do Mestre, secundado por ajudantes que executaram trabalhos menores, como cabeças de anjos de pouco destaque.


       

Os dois retábulos colaterais que se não saíam de suas mãos, apresenta inconfundível afinidade com seu estilo, quando não seja pelas colunas entortadas no terço inferior, como em São Francisco de Ouro Preto. Antônio Francisco foi o único artista colonial a usar esse recurso. Os anjos e querubins, quando não seja de sua lavra, são ajudantes muito próximos, seja pelo modelado vigoroso dos corpos, seja pelos olhos amendoados e repuxados, seja pela mecha em rocalha sobre a fronte. No altar de São Pedro de Alcântara, a excelente talha da porta do falso sacrário pode-se-lhe ser atribuída, com pouca sombra de dúvida. Nos esquecemos de citar a emocionante aparição da face do Divino Salvador, no intradorso da chave da verga da portada, sereno e ao mesmo tempo trágico a olhar os fieis que adentram no templo. Esta é, sem dúvida, uma das mais emocionantes mais faces de Cristo criadas em pedra sabão, na segunda metade do setecentos.

Ainda se pode ver algum traço magistral do coroamento do retábulo-mor executado por Luiz Pinheiro, especificamente na figura majestática de Cristo em esplendor. Lê-se, ainda, a chama de seu gênio na escultura da empena, por ele projetada, na execução tardia de Aniceto de Souza Lopes. Ainda para o Terceiros Franciscanos executou a pequena e forte imagem do evangelista São João, pronta antes do seu nicho, pois ele foi criado para ela com seu símbolo iconográfico: a águia. Outras imagens, por nós identificadas ultimamente (O Aleijadinho e sua oficina, 2002), como o Santo Antônio e São Gonçalo do Amarante que só de perto só de perto revela a força criadora do Mestre.





No tempo em que trabalhava na Capela de São Francisco, o Aleijadinho faz pequenas esculturas inacabadas, protótipos de santos franciscanos, encontrados no mercado de São João del Rei, em 1957, por Jair Afonso Inácio. Duas delas fazem parte do acervo do Museu Regional do IBRAM e outras duas foram para coleção particular. Nas diminutas esculturas inacabadas vê-se a centelha criadora do mestre.

Para a Matriz de Nossa Senhora do Pilar executou apenas uma cabeça de Cristo da Prisão, antes relegada as velhas tribunas da igreja é hoje colocado no trono, durante os ofícios de trevas. Desta escultura, apenas a cabeça faz jus a obra do Mestre, pois o corpo canhestramente executado não tem destreza ou maestria. Atualmente, a peça se encontra exposta no Museu de Arte Sacra.





Resta-nos, agora, citar a graciosa portada rococó da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, parcialmente executada pelo Mestre. Parece que executada a parte central, com as armas da ordem, dois querubins, o medalhão da Virgem e comovente Pai Eterno, ficou muito tempo desmontado e só foi instalada no século XIX. Para isso, encomendou-se três cabeças de querubins sorridentes e outros detalhes a outro artista, ainda não identificado. Para se ver com olhar crítico esta escultural monumental, é preciso abstrair a parte inferior e centrar a vista na Virgem e, depois, divagar pelo Pai Eterno e pelos dois querubins com escapulários. O Pai Eterno lembra o profeta Naum de Congonhas.





Após sua passagem luminosa por São João del Rei, na década de 1780, ele ainda executa o grandioso retábulo da Capela de São Francisco de Ouro Preto e o conjunto de Passos e profetas de Congonhas.

Já no fim da vida, acerta a encomenda do projeto de uma nova fachada para a Matriz de São José del Rei. Isto se dá em 1809, quando a velha fachada já estava em parte desmontada. Cansado e alquebrado pela doença, volta ao antigo projeto de 1774, para a igreja franciscana de São João del Rei. O “risco” teve que se adaptar a largura e altura definida da velha igreja. Usou ele a mesma solução das torres quadradas, projetadas para São João del Rei e não executadas, com seus relógios e o frontão recortado, com fogaréus à moda italiana.


               


A portada já não mais saiu da mão do Mestre, mas de outro artista rococó, Salvador de Oliveira. Mas pode-se ver no perfil delicadamente rococó das torres, com seus cunhais de chanfro, na elegante curvatura do frontão, nas rocalhas se espraiando sobre a parede, a marca do estilo aleijadiano, embora a execução em massa, em lugar de pedra, tenha diminuído o impacto desta decoração. Para além das conjecturas, o documento, junto com o de Sabará, são as duas únicas referências que o nomeia pelo apelido famoso de “Aleijadinho”.

Se a Matriz de São João Batista do Morro Grande teria sido sua primeira traça arquitetônica, ainda contida, a Matriz de Santo Antônio da Vila de São José terá sido sua última manifestação em termos de intervenção arquitetônica, curiosamente, ambas reduzidas ao frontispício, como se a confirmar os versos de Carlos Drummond de Andrade:

“Não entrarei, senhor, no templo, Seu frontispício me basta”



Texto de Olinto Rodrigues dos Santos Filho
Fotografias de David I. Nascimento
  



11.11.14

Agostinho Ferreira




Agostinho  na Prataria da Matriz, 1977.


Conheci o Agostinho Preto na minha infância. Ele nasceu no dia 5 de maio, mesmo dia do aniversário da minha mãe, só que ele nasceu 25 anos antes, em 1900. Sempre foi empregado da prefeitura, diga-se que, antes de haver a prefeitura, ele era empregado da Câmara e a sua primeira função, aos 18 ou 20 anos, era acender os lampiões de querosene das ruas.  Ia na frente o João Nepomuceno, o “Tiojoão” colocando querosene nos recipientes e o Agostinho ia atrás com uma vara com estopa na ponta incandescente a ascender os lampiões. Eram apenas 24, da matriz até na esquina do sobrado do Chiquinho Fonseca, atual prefeitura. Em 1923, inaugurou-se a luz elétrica e acabou a função do Agostinho e ele virou um operário qualquer. Não mais era mensageiro da luz. Casou-se com a Zina (Flausina)  e não teve filhos, seus filhos eram os sobrinhos, que os chamavam de “Zé”.

Foi fiel ao “sô” Joaquim Ramalho a vida toda, mesmo quando a Orquestra se partiu em duas, em 1922, por causa de uma briga na campanha política da eleição de presidente, em que o Antônio de Pádua Falcão, na oposição, abriu uma orquestra dissidente. Agostinho trocava tromba ou “baixo” na banda do Ramalho e cantava no naipe “Baixo” no Coro da Orquestra Ramalho. Tinha vozeirão no solo da Ladainha do Padre Zé Maria, no setenário das Dores. Aliás, contava-se que o Padre Zé Maria era compadre do meu trisavô, José Luiz Ramalho e compunha por encomenda, como a novena de São João Evangelista, que ele escreveu e só veio ouvir na igreja, escondido na sacristia.


Foto do filme "Proezas de Satanás na Vila do Leva e Traz", 1967.


Mas, voltando ao Agostinho, terror das crianças que subiam ao coro e que ele expulsava com a indicação da porta e a palavra imperativa “desce”, e todos sumiam pela escada abaixo do coro da Matriz. Mas se o encontrasse na rua, o bolso do seu paletó era repleto de balas para todas as crianças. Se faltasse tenor, ele resolvia a situação fazendo a parte de tenor, e cantava meio dançando com um pé no banco do coro, marcando o compasso.

Não me lembro dele trabalhando na prefeitura, já o conheci aposentado e “dono” de todas as igrejas de Tiradentes. Ele se desdobrava em cuidar da matriz como sacristão e guardião. Tocava o sino da entrada para as missas, arranjava os paramentos sobre o arcás, aviava o altar com cálice, vinho, hóstia, campainha, capa de asperges, matraca e todo o necessário. Acendia as velas e corria para o coro, para cantar. Tinha as chaves da Matriz, do Rosário, da Trindade e da prataria, onde não deixava ninguém entrar. Ele ia lá, buscava os castiçais de prata e nós carregávamos da porta para fora. Foi uma honra quando, lá por 1975, ele me deixou entrar para ver a prataria. Por ironia, após sua morte, a chave me foi entregue e a repassei ao Joaquinzinho Ramalho, que certamente era mais responsável que eu.

Na sua casa da Rua Direita, 37, havia uma Cruz processional de latão e uma mala de papelão duro, onde havia paramentos, cálice, patena, galheta, hóstia, vinho e paninhos de altar para qualquer missa ou procissão fora da matriz ou nas capelas rurais. Tudo sempre pronto. Agostinho era acima do padre, do Dom Delfim, das irmandades, sua autoridade determinava, era maior. Na festa da Trindade ele se mudava para uma casinha de quatro cômodos que fez na praça, só para ficar perto “da minha mãe de braços abertos” ao que eu retrucava perguntando “se minha mãe era barbuda”, e ele estava referindo-se ao Pai Eterno.

Coro Paroquial, 1951.

Na festa da Trindade, íamos no primeiro dia da novena, ornamentar a igreja. Eu acompanhava a Regina Conceição e a Dalzira Moura Campos e lá ficávamos o dia inteiro. O Agostinha chegava com duas garrafas térmicas de café e sacolas de biscoitos feitos pela Zina e era o nosso almoço, como o era quando montávamos a Matriz para a Quinta-feira Santa. As vezes, brigávamos muito, porque eu colocava as velas tortas na banqueta da Matriz ou porquê ele queria bater pregos na talha dourada.
As igrejas eram sua casa e ele dava conta de tudo, Festa do Rosário, missa no São Francisco, no Canjica, tesoureiro das Mercês e Zelador da Trindade.

Ele não bebia, eu nunca o vi beber, mas sempre perguntava “menino, tem dinheiro pra tomar uma cerveja?”, logo enfiando a mão no bolso de baixo do paletó para nos “emprestar” um trocado. Estava na igreja desde os tempos do “sô vigário”, ou seja, do Padre José Bernardino. Em 1932, já aparece como “armador” na Semana Santa.  Certa vez, ele nos fez dormir no coro da Matriz, pois achava que poderia aparecer um ladrão. Imagine o que nós faríamos se houvesse realmente um assalto.

Andava sempre vestido com um surrado paletó escuro e calçado de sandálias franciscanas por causa dos calos. Era filho de “Sá Chica Ferreira” e não me lembro o nome de seu pai, mas sei que ele fez as jarras de cerâmica vidrada que havia em todas as igrejas. Hoje temos algumas recolhidas no Museu da Liturgia. Me esqueci de dizer que ele sempre usava um chapéu velho de lebre. Agostinho conhecia cada peça, cada cálice, cada imagem, cada castiçal, cada toalha de todas as igrejas e falava “esse missal não é daqui, é do Gaspar ou do Bichinho”.

Cartão postal, déc. 70, com Agostinho descendo a rua.

Entre muitas funções, ele vestiu por 50 anos a imagem do Senhor dos Passos, sempre trancado na sacristia para que os meninos não vissem, nem olhassem no buraco da fechadura, pois nossa curiosidade era imensa.  Quando, em 1980, ele adoeceu, mandou me chamar na casa dele. Ele estava sentado em uma cadeira no quintal cheio de galinhas. Já cuspia sangue. Me ordenou: “vai trocar a roupa do Senhor dos Passos, porquê eu não posso”. Ao que recusei: “o senhor nunca me deixou fazê-lo, não sei”. Aí, ele me disse: “Sabe sim, é necessidade, não se esqueça de vestir três camisas e dar o nó do cordão direito, o Nogueira sabe”. E essa função foi minha por mais de 20 anos, até que abandonei, com desentendimentos paroquiais. Mas, se o fiz por muitos anos, foi por determinação do Agostinho, eu não podia desobedecer.

No fim, já internado na Santa Casa de São João del Rei, eu passava para vê-lo quando eu ia para a escola e ele me dizia que Nossa Senhora das Mercês já o estava chamando e mandou que fôssemos a sua casa buscar as coisas da Igreja, o que fizemos com Joaquinzinho Ramalho, Antônio Nogueira e Padre Nacif. 
Procissão da Santíssima Trindade, 1968. Foto de Maria J. Moura.

Como uma última nota, eu estava organizando uma exposição, “Um Século de Fotografias em Tiradentes”, que iria abrir em janeiro de 1981, e escolhi algumas fotos que Agostinho tinha na parede. Ele me disse “se eu já tiver morrido, você entra e tira da parede, os retratos são seus”. Uma destas das fotos, a dos acólitos, de 1925, inclui no meu livro “A Matriz de Santo Antônio em Tiradentes”. E mais os “quadros de santos” da sala, me disse “ele são seus”. Após sua morte, Lili, sua filha adotiva, me mandou entregá-los e ainda hoje estão na parede de meu quarto.

Na missa de corpo presente, executou-se a Missa de Requem do Padre Zé Maria Xavier e o “seu” Domingos, já falecido, cantou tão emocionado um solo do “De Profundis” que a voz ficou embargada e as lágrimas corriam no seu rosto de quase 80 anos. Seu Domingos era o outro baixo do coro, e era da Lira Sanjoanense, mas vinha sempre reforçar a Ramalho.

Agostinho em foto de Fernando Pitta, déc. de 80.

Por fim, o Agostinho, da maneira dele, as vezes suaves, as vezes “mandona”, ditatorial, nos ensinou a defender, a amar, valorizar nosso patrimônio religioso, seja o material, defendido com unhas e dentes por ele, seja o imaterial, cantando durante quase 60 anos no coro da orquestra ou tocando seu “baixo” na banda. De onde ele está, sei que olha por todas as igrejas de Tiradentes e por nós, que não fizemos nada perto do que ele fez. Viva o Agostinho.

Texto do Sócio Olinto Rodrigues dos Santos Filho

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Obs.: Foi o Agostinho que me ensinou que “entrada de missa” toca-se 100 badaladas e se for vigário toca-se mais 3 e se for padre de fora toca-se mais 8 badaladas. 

Os primeiros registros civis de Tiradentes


Como é de conhecimento geral, até o final do segundo reinado do Brasil, os registros de nascimento, óbito e casamento eram feitos apenas pela igreja católica, onde eram celebrados os atos de batismo, casamento e sepultamento de toda a população. Proclamada a república, a religião católica deixou de ser a religião oficial do país e os registros passavam oficialmente a serem feitos nos cartórios de registro civil  e notas.

O primeiro registro de nascimento anotado no livro número 1 aberto para esse fim foi o de Silvestre, filho de José Luiz Ramalho, maestro da atual Orquestra Ramalho. O curioso é que o pai foi declarante e não aparece o nome da mãe, que era Josefina Ferreira Barbosa Ramalho. Também não aparece o nome completo, que deveria ser Silvestre Ramalho, que herdou o prenome do avô, Silvestre Ferreira Barbosa, pai de Josefina Ferreira Barbosa. Consta, ainda, a margem, uma anotação que diz que a criança foi batizada na casa do vigário João José de Faria, sendo o padre também padrinho e a madrinha a irmã do recém nascido, Maria da Conceição das Mercês, que depois casou-se com Abdias de Faria. A criança foi registra no dia 31 de dezembro de 1888, curiosamente, antes da proclamação da república, e batizada em 2 de janeiro de 1889. Parece que esta criança morreu em tenra idade, pois nos chegou notícias apenas de três filhos homens de José Luiz e “Dona Josefa”, ou seja: Joaquim Ramalho, João Evangelista Ramalho e Francisco de Paula Ramalho.




O primeiro registro de casamento do livro 1, folha 1, do livro próprio, é de José Luiz do Nascimento e Rita Balbina de Santana. Ele era filho de José Moreira Simões e de Justiniana Ferreira de Jesus. Ela era filha de Joaquim Tume de Santana e Francisca Maria da Conceição. Casaram-se em 4 de fevereiro de 1889. Não temos mais notícias desse casal que inaugurou o casamento civil na cidade de São José del Rei, logo depois nomeada Tiradentes.






O primeiro registro de óbito é de Jerônimo, filho, provavelmente, natural de Maria do Rosário, pois não consta o nome do pai. Maria do Rosário deveria ser preta ou parda, pois consta que era “liberta pela Lei de 13 de maio”. A data do falecimento é 4 de janeiro de 1889, na capela de Nossa Senhora do Pilar do Padre Gaspar, onde foi sepultado. O escrivão notário do cartório era Pedro Augusto da Costa.







Estes são, portanto, os primeiros registros civis da cidade de Tiradentes, que já somam 126 anos e estão no arquivo do cartório de registro civil e pessoas naturais de Tiradentes – MG.





Texto do Sócio Olinto Rodrigues dos Santos Filho

D. José I faz 300 anos




Estátua Equestre de D. José I, Lisboa.


Este ano de 2014 comemoramos o tricentenário de nascimento do Reio Dom José I de Portugal. Filho de D. João V e de Dona Mariana da Áustria, o príncipe D. José Francisco Antônio Inácio Norberto Agostinho de Bragança nasceu no dia 6 de junho do ano de 1714. Casou-se em 1729 com a princesa Maria Vitória de Bourbon, infanta da Espanha, o que veio selar a paz com país vizinho.

Retrato de D. José I, por Miguel Antônio
 do Amaral, 1773. 


Com a morte de seu pai o rei D. João V, o magnânimo D. José ascendeu ao trono de Portugal, tendo sido coroado no dia 8 de setembro de 1750, em Lisboa, após assumir o trono em 31 de julho do mesmo ano. Logo no início de seu governo nomeou o Conde de Oeiras, depois do Marquês de Pombal, Sebastião José para seu ministro super poderoso, que, na verdade, governou Portugal até a morte do Rei, em 1777. Uma das maiores tragédias do reino português foi o famoso terremoto de Lisboa, ocorrido em 1755, que destruiu a Capital do Reino, inclusive o palácio real, na Ribeira, onde hoje é a Praça do Comércio. Aproveitando o ensejo, o Marquês de Pombal elabora um plano de reconstrução da Baixa Lisboeta dentro dos cânones iluministas e cartesianos, com ruas retas e trançado quadriculado, com rua central e a Praça do Comércio. Todas as construções foram projetadas no mesmo padrão, tanto os sobrados quanto as igrejas pombalinas da baixa. Os sobrados com suas portadas em mármore branco, com pouca decoração nas vergas, contrasta com o rosa e amarelo dos panos de parede. As igrejas seguiam planta padrão, com as faixadas em mármore branco, sem ou com apenas uma torre. Os interiores pombalinos eram severos, ao gosto de um rococó quase clássico, de cunho italianizante. Não havia talha e sim retábulos em mármore ou madeira imitando mármore, ao gosto italiano.

Estátua Equestre de D. José I, Praça do Comércio, Lisboa.

Mas o que nos importa é que, para a reconstrução da baixa lisboeta, o ouro das Minas Gerais abarrotou os cofres reais, sendo portando uma obra financiada com o ouro brasileiro.

Lembramos, hoje, D. José em seu tricentenário porquê, quando se criou a Vila no Arraial Velho no Rio das Mortes, em 19 de janeiro de 1718, por ato do Conde de Assumá e Marquês de Alorna, Dom Pedro de Almeida e Portugal, o nome dado a Vila foi São José del Rei ou São José do Rio das Mortes, como ficou conhecida, em homenagem ao príncipe, então, com cerca de quatro anos de idade. Portanto, Tiradentes, nome adquirido em 1889, teve, de 1718 a 1889, o nome do Rei.


Rua da Câmara, déc. de 50.



Quando da inauguração da Estátua Equestre de Dom José I na Praça de Comércio de Lisboa, obra de Joaquim Machado de Castro, que agitou Lisboa na época, os poetas mineiros Inácio José de Alvarenga Peixoto e José Basílio da Gama*, escreveram obras poéticas laudatórias relacionadas ao evento.


           

Sonetos de Alvarenga Peixoto e de Basílio da Gama distribuídos em volantes no dia da inauguração da estátua de D. José I.






Texto do Sócio Olinto Rodrigues dos Santos Filho

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José Basílio da Gama nasceu em 1740, na antiga Vila de São José, hoje Tiradentes. Morreu em Lisboa em 1795.

19.8.14

Rol dos Confessados





O “Rol dos Confessados da freguesia de Santo Antônio d Vila de São José” data de 1795 e foi feito pelo Vigário Manoel Gomes de Souza, para registrar todos os fregueses que tinham cumprido a desobriga, ou os preceitos de se confessar e comungar uma vez por ano, por ocasião da Páscoa. A anotação se justifica por ter os fieis que pagar por essa desobriga para o vigário da freguesia. Os documentos desta natureza, ainda existentes no Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana, não são detalhados como o documento em questão. O vigário ou seu coadjutor anotou o número de famílias; o número de fogos (casas); a cor; a condição (se livre ou escravo); a idade; e que era crismado. Cada fogo começa com o chefe de família, a esposa, os filhos e, finalmente, os escravos e agregados. O número de confessados incluía toda a população da freguesia, com exceção dos menores de sete (7) anos que, evidentemente, não confessavam e comungavam. 

O documento produzido pelo vigário deve ter sido encaminhado à sede do bispado de Mariana e, ainda nos fins do século XIX, passou ao Arquivo Público Mineiro, não se sabe como. Lá permaneceu praticamente desconhecido por quase 100 anos. Quando o diretor Dr. Aquiles Mauro Mitraud Castro Leite devolveu pequena parte do arquivo da Câmara de Tiradentes para ser reincorporado à documentação existente de Tiradentes, na década de 1990, veio junto o Rol dos Confessados que, desde então, integra o acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes.

Logo que chegou à Tiradentes, vimos que era um documento interessantíssimo, com várias possibilidades de estudo. Fornecemos uma cópia ao professor Dr. Douglas Cole Libby, da UFMG, que, desde então, o vem utilizando no estudo de população e famílias, junto com documentação de outros fundos, como os da paróquia de Santo Antônio e cartórios, guardados pelo IPHAN/São João del Rei. 

Hoje, disponibilizamos o documento digitalizado (clique aqui), para o uso de maior número de pesquisadores. Salientamos que o pequeno livro não tem capa original e as folhas não são numeradas, sendo aqui apresentado na ordem original do documento.

Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes

8.4.14

O Culto à Virgem Maria e a Cidade de Tiradentes


Texto do sócio Olinto Rodrigues dos Santos Filho




        
                                           1                                                 2                                                     3
                                

O culto a Maria Mãe de Jesus vem do início da Era Cristã, manifestando-se a sua iconografia em antigos mosaicos e murais no inicio da idade média e no império bizantino. No reino de Portugal a representação da Virgem data de tempos muitos antigos, podendo ainda ser vistas imagens medievais em pedra ançã e madeira, como a antiga imagem de Nossa Senhora da Oliveira da colegiada de Guimarães, ou a virgem da Catedral de Braga e a Virgem de Vandoma, a padroeira da cidade do Porto.

A primeira imagem da Virgem que aportou no Brasil veio nas caravelas de Pedro Álvares Cabral e retornou com ele para o reino. Ainda restam imagens quinhentistas da Virgem na cidade de salvador, Vitória e São Paulo.

A invocação mais querida da Virgem em Portugal e no Brasil foi a Imaculada Conceição, dogma defendido pelos franciscanos e pela casa real portuguesa e só instituído pontificiamente em 1854. Desde o reinado de D. João IV, a Imaculada Conceição é patrona do reino e recebeu do próprio rei a coroa de Portugal.

Ao se descobrir o ouro no atual território de Minas Gerais, logo se seguiu as construções de capelas rústicas de barro, madeira e palha, onde eram colocadas as imagens dos santos de devoção. Assim, nasceram as primeiras capelas e matrizes, muitas delas dedicadas a Virgem, sob a invocação do Pilar (Ouro preto, São João del Rei, Congonhas do Sabará, Pitangui); Nossa Senhora da Conceição (Antônio Dias de Ouro Preto, Serro, Prados, Raposos, Ribeirão do Carmo, Sabará, entre outras); Nossa Senhora do Bom Sucesso (Caeté), Nossa senhora de Nazaré (Cachoeira do Campo, Morro Vermelho, Inficionado). Muitas capelas  foram dedicadas à Virgem, espalhadas por todo o território mineiro. Ainda nas primeiras décadas do setecentos, surgiram as irmandades de Negros em torno da invocação de Nossa Senhora do Rosário e em meados do século as irmandades de Pardos ou Mulatos sob a égide de Nossa Senhora das Mercês, Nossa Senhora do Amparo, Nossa Senhora da Boa Morte. Ainda nos fins do século, aparecem as irmandades dedicadas à virgem das Dores. Muitas foram as invocações da virgem em Minas como Madre de Deus, Mãe dos Homens, Piedade, Penha de França e Socorro...


      
                                                     4                                             5                                      6

Na antiga Vila de São José del Rei, hoje Tiradentes, a Virgem Maria esteve presente em igrejas e capelas, embora o padroeiro seja Santo Antônio de Pádua. Na igreja matriz funcionaram as irmandades de Nossa Senhora da Piedade, cujo fim era assistir aos doentes, encarcerados e enterrar os mortos; a Confraria de Nossa Senhora do Terço dos Homens Brancos; a Confraria de Nossa Senhora da Conceição dos Estudantes, cujo altar é dos mais antigos da igreja.


                  
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Além das irmandades, a igreja ainda contou com o culto de Nossa Senhora do Pé da Cruz. Ainda no início dos setecentos fundou-se a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos negros africanos, cuja capela já funcionava em 1727, hoje substituída pelo belo templo atual, de meados dos setecentos. Em 1754 os pretos crioulos e pardos fundaram a Irmandade de Nossa Senhora das Mercês, que construiu sua capela no ultimo quartel do século XVIII e ainda hoje funciona. Já no século XIX, 1801 fundou-se a Confraria de Nossa Senhora das Dores, na igreja de São João Evangelista, de curta duração. Ainda em meados do século XIX a Confraria da Santíssima Trindade foi fundada sob o patrocínio de Nossa Senhora das Dores. Em todas a s igrejas e capelas imagens da Virgem ocupam lugares nos nichos dos altares, como Nossa Senhora da Conceição, no Canjica; Nossa Senhora do Patrocínio e Conceição na capela do Bom Jesus; Nossa Senhora do Carmo na capela de São Francisco de Paula; Nossa Senhora dos Remédios na igreja de São João Evangelista; Nossa Senhora do Parto na igreja de Nossa Senhora das Mercês; Nossa Senhora das Dores no Santuário da Santíssima Trindade.

Muitas capelas filiais foram dedicadas à Virgem como Nossa Senhora do Pilar do Padre Gaspar, anterior a 1732; Nossa Senhora da Penha de França do Bichinho, por volta de 1729; Nossa Senhora da Penha da Lage (hoje município de Resende Costa); Nossa Senhora da Conceição do Mosquito (hoje município de Coronel Xavier Chaves); Nossa Senhora do Carmo do Japão (atual município Carmópolis de Minas); Nossa Senhora da Oliveira (atual município de Oliveira); Nossa Senhora da Glória de Passatempo; Nossa Senhora Aparecida de Cláudio (atual município de Cláudio) entre outras.

Imagens de grande valor artístico, cultural e religioso compõem o acervo da paróquia de Tiradentes, das quais pode se citar a bela imagem de Nossa Senhora da Piedade, da matriz de Santo Antônio, obra datada por volta de 1746; Nossa Senhora do Terço, obra portuguesa da primeira metade dos setecentos; Nossa Senhora da Conceição, obra também setecentista, repintada em 1923 ou a imagem de roca de Nossa Senhora do Pé da Cruz, datada por volta de 1730. Da igreja de São João Evangelista um conjunto de imagens do mesmo santeiro anônimo citamos a de Nossa Senhora do Pé da Cruz, de grandes dimensões, a de Nossa Senhora das Dores do altar lateral, e as imagens de roca de Nossa Senhora das Dores e de Remédios, todas obras de fins do século XVIII. Na igreja de Nossa Senhora do Rosário, duas imagens da padroeira, ambas portuguesas, da primeira metade do século XVIII compõem o acervo. Na igreja de Nossa Senhora das Mercês venera-se a belíssima imagem da padroeira, obra mineira, de cunho rococó, datável do ultimo quartel do século XVIII, além de Nossa Senhora do Parto em técnica de tela encolada. Nas capelas de Bom Jesus da Pobreza, São Francisco de Paula e Canjica pode se ver ainda as imagens de Nossa Senhora da Conceição esculpida em candeia e Nossa Senhora do Patrocínio, Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora da Conceição, sendo a ultima já oitocentista.


   
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O culto Mariano era definido por várias festas como: Nossa Senhora do Rosário em 07 de outubro, Nossa Senhora das Mercês em 24 de setembro, Nossa Senhora da Conceição em 08 de dezembro, Nossa Senhora das Dores na ultima sexta-feira da quaresma. No século XIX instituiu-se o mês de Maria em maio, com terços, ladainha e coroações no trono do altar mor da matriz. O culto à Virgem ainda continua vivo com a dedicação de novas capelas como da Nossa Senhora Auxiliadora na Candonga, Nossa Senhora da Paz no Alto da Torre; Nossa Senhora de Fátima na Caixa d´Água, sem olvidar a de Nossa Senhora da Saúde, no balneário de Águas Santas, esta datada do inicio do século XX.


               
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Na primeira metade do século XX surgiu a chamada “Nossa Senhora Visitadora” que nada mais era que um oratório portátil com a imagem do Coração de Maria, que constantemente circulava pelas casas dos fiéis, onde era feita uma novena, com terço e outras orações. A família que recebia Nossa Senhora Visitadora armava um cuidadoso altar, decorado com cortinado, flores, velas, onde era colocado o oratório e após as rezas era oferecido um café aos participantes. Em meados do século XX, Maria da Conceição Lopes, também zeladora da matriz de Santo Antônio e presidente do Apostolado da Oração era a responsável pela Nossa Senhora Visitadora. Ainda hoje esta prática continua nos bairros da cidade, sendo agora com outras invocações da Virgem e outros santos.

              
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Outro registro histórico que merece menção é a existência da capela de Nossa Senhora do Bom Despacho no Arraial do Córrego, hoje integrado a zona urbana de Santa Cruz de Minas. A capela ficava sobre um platô na encosta da Serra de São José e datava das duas primeiras décadas do século XVIII, uma vez que lá foi fundada a irmandade do Bom Jesus dos Passos em 1721 e transferida para a matriz em 1727. Com a decadência da mineração o Arraial foi se desaparecendo, e a capela entrou em ruínas, sendo o acervo transferido para a matriz em 1832. A irmandade do Santíssimo Sacramento emprestou parte das peças para a confraria da Santíssima Trindade, inclusive a imagem da Virgem. Em 1860 a imagem de Nossa Senhora do Bom Despacho e outras “que estão na capela desde 1834 por consentimento da mesma”, foram devolvida à matriz. A peça lá permaneceu até cerca de 1965, quando desapareceu. Tratava-se de uma imagem setecentista da Virgem de pé, com o Menino Jesus no braço esquerdo e uma pena na mão direita. Infelizmente é uma perda irreparável.


              
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Ainda pode-se citar a criação já no século XX da Pia União de Nossa senhora que cultuava a imagem de Nossa Senhora de Lourdes e saía incorporada nas procissões com a sua bandeira azul e branca, como também a irmandade das “Filhas de Maria” composta por moças solteiras que vestiam um uniforme todo branco com fita azul ao pescoço e cuidavam da limpeza e ornamentação da matriz. Também houve a Congregação Mariana que aglutinava homens e mulheres identificados pela fita azul no pescoço.


                                                             
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Nota carinhosa e interessante foi a fundação em 1914 da irmandade de Nossa Senhora de Lourdes, na igreja de Nossa Senhora do Rosário que era exclusiva de meninas vestidas de branco e para tal se adquiriu no Rio de janeiro uma imagem de Lourdes importada der Paris. Para os meninos foi criada a Irmandade de São Geraldo na mesma igreja.



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Imagens:

1 - Andor de Nossa Senhora da Conceição, Matriz de Santo Antônio, 8 de dezembro de 1954, comemoração do Centenário da Instituição do Dogma da Imaculada Conceição. (acervo próprio)
2 - Nossa Senhora da Piedade. Madeira esculpida e policromada, cerca de 1746, Matriz de Santo Antônio. Livro Devoção e Arte (fotografia de Pedro David).
3 - Nossa Senhora do Terço. Madeira esculpida e policromada, primeira metade do séc. XVIII, procedência portuguesa. Matriz de Santo Antônio. Livro Devoção e Arte (fotografia de Pedro David).
4 - Nossa Senhora Menina, do conjunto de Sant'Ana Mestra. Madeira Esculpida, dourada e policromada, meados do séc. XVIII, procedência portuguesa. Matriz de Santo Antônio, Altar do Descendimento.  (fotografia de David Nascimento)
5 - Nossa Senhora do Rosário. Madeira esculpida e policromada, meados do séc. XVIII, de procedência portuguesa, trono da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.  (fotografia de David Nascimento)
6 - Nossa Senhora do Rosário. Madeira esculpida e policromada, início do séc. XVIII, de procedência portuguesa, nicho da sacristia da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, atualmente no museu da Liturgia (imagem da capela original). Acervo do Museu da Liturgia (fotografia de Eugênio Sávio).
7 - Nossa Senhora do Pé da Cruz, madeira esculpida e policromada, fim do séc. XVIII, de procedência mineira, trono do retábulo do altar mór da Igreja de São João Evangelista. (fotografia de David Nascimento)
8 - Nossa Senhora das Dores, madeira esculpida e policromada, fim do séc. XVIII, de procedência mineira, retábulo colateral da Igreja de São João Evangelista. A imagem foi furtada em 1994 e recuperada em 1998 com a perda total da policromia por ter sido mantida enterrada durante um ano. Inventário do IPHAN.
9 - Nossa Senhora das Dores, madeira esculpida, policromada e tecido, imagem de roca, cerca de 1801, de procedência mineira,  Igreja de São João Evangelista. Livro Devoção e Arte (fotografia de Pedro David)
10 - Nossa Senhora das Mercês. Madeira esculpida, dourada e policromada, segunda metade do séc. XVIII, de procedência mineira, trono da Igreja de Nossa Senhora das Mercês. Livro Devoção e Arte (fotografia de Pedro David)
11 - Nossa Senhora do Bom Despacho. Madeira esculpida e policromada, início do séc. XVIII, de procedência da desaparecida da antiga Capela de Nossa Senhora do Bom Despacho do Córrego, peça desaparecida da Matriz de Santo Antônio entre 1963 e 1970. Foto do início da década de 1960, Laboratório de Fotografia Sylvio Vascollos/UFMG.
12 - Nossa Senhora do Parto, tela encolada e policromada com mãos de madeira; fins do séc. XVIII e início do XIX; de origem mineira; pertencente a Igreja de Nossa Senhora das Mercês, atualmente no Museu da Liturgia. Livro Devoção e Arte (fotografia de Pedro David)
13 - Irmandade de Nossa Senhora de Lourdes composta por meninas durante a benção da imagem da padroeira adquirida na França. 14 de fevereiro de 1914. Foto de acervo particular.
14 - Coroação de Nossa Senhora na Matriz de Santo Antônio, 1934 (observar a imagem de Nossa Senhora do Pé da Cruz vestida de branco para a coroação), acervo particular. 
15 - Nossa Senhora da Piedade, terracota policromada, de procedência portuguesa, séc. XVIII, Igreja de Nossa Senhora das Mercês, atualmente no Museu da Liturgia (fotografia de Eugênio Sávio).
16 - Nossa do Desterro, têmpera sobre madeira, de autoria de Manoel Victor de Jesus, 1788, Matriz de Santo Antônio, atualmente no Museu da Liturgia (fotografia de Eugênio Sávio).
17 - Nossa Senhora da Conceição, madeira esculpida e policromada, séc. XVIII, de procedência mineira, Capela de Santo Antônio do Canjica, atualmente no Museu da Liturgia. A imagem foi furtada na Igreja de Nossa Senhora das Mercês e encontrada em antiquário na Rua Alagoas, em Belo Horizonte. (fotografia de Eugênio Sávio).
18 - Nossa Senhora do Carmo, madeira esculpida e policromada, meados do séc. XVIII, procedência mineira, Capela de São Francisco de Paula.  (fotografia de David Nascimento)
19 - Nossa Senhora do Patrocínio, madeira esculpida, dourada e policromada, primeira metade do séc. XVIII, de procedência mineira, Capela do Bom Jesus da Pobreza. (fotografia de David Nascimento)
20 - Nossa Senhora do Conceição, madeira esculpida, dourada e policromada, início do séc. XVIII, de possível origem portuguesa, Matriz de Santo Antônio. Peça repintada em 1923. Do livro "A Matriz de Santo Antônio Tiradentes" (fotografia de Nelson Con, 2009). 
21 - Ilustração do Compromisso da Irmandade de Nossa Senhora das Mercês, gravura em metal, de origem espanhola, datada da primeira metade do séc. XVIII. 
22 - Ilustração do Compromisso de Nossa Senhora das Dores, 1801, autoria de Manoel Victor de Jesus, desenho a bico de pena sobre o papel.

17.3.14

Joaquim Silvério escreve uma carta...



No dia 15 de março de 1789 o Governador da Capitania de Minas receberia em seu palácio da Cachoeira do Campo o Coronel Joaquim Silvério dos Reis. O visitante trazia ao Visconde de Barbacena a denúncia gravíssima de que, em Minas, se planejava a liberdade. Alguns dos principais homens da Capitania, chefiados pelo Desembargador Tomás Antônio Gonzaga, reuniam-se secretamente para conspirar e planejar a implantação de uma República independente de Portugal. Crime hediondo que ele, como leal vassalo da Augusta Soberana, considerava-se na obrigação de denunciar. E o faria com riqueza de detalhes.

Depois de ouvir atentamente, o Visconde ordenou que Silvério fizesse a denúncia por escrito. Este documento, assinado na Borda do Campo a 11 de abril de 1789 (anexo), seria o primeiro corpo de delito do processo de inconfidência e desencadearia uma série de denúncias e interrogatórios reunidos em duas devassas que se arrastariam por mais de três anos e que culminariam no enforcamento do Tiradentes a 21 de abril de 1792 e no exílio dos principais envolvidos.

Após a denúncia verbal de Joaquim Silvério, a providência imediata do Governador foi a suspensão da Derrama, a 23 de março de 1789. A Derrama, ou a cobrança unificada e imediata de todos os impostos atrasados era a medida altamente impopular que os inconfidentes aguardavam para deflagrarem a revolução. Sua suspensão desarticulou todo o movimento. O “tal dia do batizado” fora adiado.

Na sequência, o Visconde daria a Joaquim Silvério mais uma missão: aproveitar-se da amizade que o Tiradentes lhe devotava para vigiar os passos do Alferes no Rio de Janeiro e mantê-lo informado de tudo. Ao ordenar esta segunda traição o governador revelou conhecimento do caráter de Joaquim Silvério. O homem era grande devedor da fazenda real, e tudo faria para livrar-se da dívida. Era indivíduo astucioso, ambicioso e sem escrúpulos e se prestaria a qualquer papel para obter vantagens pessoais. Mas, naquele momento, a atributo que mais sobressaia na personalidade do traidor era o cinismo cruel. Diante do representante da Rainha, mesmo sabendo das consequências funestas do seu ato, Silvério simulava preocupação com a sorte de suas vítimas:

Ponho todos estes tão importantes particulares na presença de V. Excia. pela obrigação que tenho de fidelidade, não porque o meu instinto nem vontade sejam de ver a ruína de pessoa alguma, o que espero em Deus que, com o bom discurso de V. Excia., há de acautelar tudo e dar as providências sem perdição de vassalos. O prêmio que peço tão somente a V. Excia., é o rogar-lhe que, pelo amor de Deus, se não perca a ninguém (Autos, v. 1. p. 94-95).


Fina ironia de um sádico conhecedor dos rigores sanguinários do quinto livro das Ordenações Filipinas, com o qual Portugal puniria o crime de Lesa-majestade perpetrado nas Gerais.

Nada além dos interesses pessoais trouxe ao Brasil aquele português, nascido em 1756 na freguesia de Monte Real. Veio aos 20 anos, em busca de riqueza e prestígio social, estabelecendo-se como comerciante no Rio de Janeiro. Posteriormente instalou-se em Minas Gerais onde, no período de 1782 a 1784, foi o contratante dos direitos de entrada, atividade que resultou na pesada dívida de 220:423$149 contraída com a Fazenda Real.

Apesar de qualificado como fraudador e falsificador no processo que lhe movia a Coroa Portuguesa, Silvério desfrutou de grande prestígio no Governo de Luís da Cunha Menezes. O “Fanfarrão Minésio” o autorizou a criar um Regimento de Cavalaria Auxiliar, conferindo-lhe a tão almejada patente de Coronel. Sua sorte mudaria com a posse do novo governador da Capitania. Luís Antônio Furtado de Mendonça, o Visconde de Barbacena, nomeado para o cargo em 1786, dele tomou posse em julho de 1788, e trazia instruções severas, que incluíam a cobrança dos impostos atrasados e das dívidas astronômicas, como a de Silvério. Já em fevereiro de 1789, o Coronel perderia a patente militar com a extinção do seu Regimento. Com base em sua carta-denúncia, foi neste mesmo mês que, em passagem pela casa do Capitão José de Resende Costa, no Arraial da Lage, Silvério soube da Conjuração:

Vindo da revista do meu Regimento, encontrei no arraial da Laje o Sargento-Mor Luís Vaz de Toledo; e falando-me em que se botavam abaixo os novos Regimentos, porque V. Excia. assim o havia dito, é verdade que eu me mostrei sentido e queixei-me ao sargento-mor (...) e juntando mais algumas palavras em desafogo da minha paixão. Foi Deus servido que isso acontecesse para se conhecer a falsidade que se fulmina” (Idem, p. 92). 

Conheceu a falsidade que se fulminava e os nomes dos principais envolvidos, dentre os quais o Coronel Alvarenga Peixoto, o Padre Oliveira Rolim, o Ten. Cel. Freire de Andrade, o Alferes Joaquim José da Silva Xavier e o vigário de São José, Padre Carlos Correia.

O dia 3 de março lhe reservaria mais um golpe. O Visconde de Barbacena o intimou a prestar contas do seu contrato como arrematante dos direitos de entrada, que se resumia no acerto da avultada dívida. Como, para aliciá-lo, os inconfidentes haviam lhe acenado com o perdão da dívida, Silvério vislumbrou na libertação de Minas uma saída estratégica. Se por um lado não era nenhum idealista da causa da liberdade de Minas, por outro, sentia-se acuado pela voracidade da Fazenda Real.

No dia 10 de março dissipou-se a dúvida quando, no arraial da Igreja Nova, Silvério encontra o Alferes Tiradentes.  Ao vê-lo, por considerá-lo amigo e aliado, o Alferes o saúda entusiasticamente dizendo que ia ao Rio, trabalhar por todos. A partida eufórica do Alferes deixou Silvério preocupado. Pensou que a imprudência com que se falava abertamente na revolução poderia colocar tudo a perder e optou por mostrar-se solícito perante a Coroa Portuguesa. A denúncia poderia ser um bom negócio, e assim decidiu seu destino de traidor. Cinco dias depois estava diante do Governador. A sorte dos conjurados estava selada.

Do ponto de vista pessoal, a traição de Joaquim Silvério à causa dos inconfidentes não foi descabida. Como português, foi leal à sua Rainha, embora por interesse. Além disso, não tinha nenhum vínculo afetivo com a terra que justificasse querer vê-la independente e até desprezava os mineiros, a quem considerava “gente turbulenta e ridicularizadora do nome e da gente de Portugal” (JOSÉ, Tiradentes, p.178). Pode-se dizer, também, que obteve êxito em seus propósitos, sendo recompensado pela lealdade demonstrada. Teve um ligeiro percalço, quando no dia 10 de maio foi encarcerado em presídio do Rio de Janeiro por ordem do Vice-Rei Luís de Vasconcelos, mas ao sair da prisão, nove meses depois, receberia pensão vitalícia de duzentos mil réis, o perdão da dívida com a Fazenda Real e o hábito da Ordem de Cristo, dentre outras vantagens.   Retornou a Portugal, de onde veio com a Corte fugitiva em 1808. Tentou estabelecer-se no Rio de Janeiro, mas desistiu depois de sofrer atentados e de ser apontado nas ruas como traidor. Por fim, instalou-se em São Luiz do Maranhão, onde faleceu em 1819, sendo sepultado na igreja de São João, em túmulo posteriormente destruído.

Se a Inconfidência Mineira foi ou não um movimento de apelo popular, se extrapolou ou não as fronteiras de Minas, se foi um devaneio de letrados liderados por um louco, ou o maior esforço de liberdade esboçado no Brasil-colônia, ainda não há consenso, mas, a julgar pelas queixas do próprio Joaquim Silvério, uma coisa é certa: o povo não perdoou o traidor dos inconfidentes.


Referências:

-        JOSÉ, Oiliam. Tiradentes. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1974.
-        Autos da devassa. Vol. 1. Brasília – Belo Horizonte: Câmara dos Deputados/Governo do Estado de Minas Gerais,1976.




A carta-denúncia de Joaquim Silvério dos Reis
(Autos da devassa. Vol. 1. Brasília – Belo Horizonte: Câmara dos Deputados/Governo do Estado de Minas Gerais,1976. p. 91-95)


            Ilmo. e Exmo. Sr. Visconde de Barbacena

Meu Senhor: - Pela forçosa obrigação que tenho de ser leal vassalo à nossa Augusta Soberana, ainda apesar de se me tirar a vida, como logo se me protestou na ocasião em que fui convidado para a sublevação que se intenta, prontamente passei a pôr na presença de V. Excia. o seguinte: - Em o mês de fevereiro deste presente ano; vindo da revista do meu Regimento, encontrei no arraial da Laje o Sargento-Mor Luís Vaz de Toledo; e falando-me em que se botavam abaixo os novos Regimentos, porque V. Excia. assim o havia dito, é verdade que eu me mostrei sentido e queixei-me ao sargento-mor: me tinha enganado, porque em nome da dita Senhora se me havia dado uma patente de coronel, chefe do meu Regimento, com o qual me tinha desvelado em o regular e fardar, e muita parte à minha custa e que não podia levar à paciência ver reduzido à inação o fruto do meu desvelo, sem que eu tivesse faltas do real serviço; e juntando mais algumas palavras em desafogo da minha paixão. Foi Deus servido que isso acontecesse para se conhecer a falsidade que se fulmina.
No mesmo dia viemos dormir à casa do Capitão José de Resende; e chamando-me a um quarto particular, de noite, o dito Sargento-Mor Luís Vaz, pensando que o meu ânimo estava disposto para seguir a nova conjuração pelos sentimentos e queixas que me tinha ouvido, passou o dito sargento-mor a participar- me, debaixo de todo o segredo, o seguinte:
Que o Desembargador Tomás Antônio Gonzaga, primeiro cabeça da conjuração, havia acabado o lugar de ouvidor dessa Comarca, e que, isto posto, se achava há muitos meses nessa vila, sem se recolher a seu lugar da Bahia, com o frívolo pretexto de um casamento, que tudo é idéia porque já se achava fabricando leis para o novo regime da sublevação que se tinha disposto da forma seguinte:
Procurou o dito Gonzaga o partido e união do Coronel Inácio José de Alvarenga e do Padre José da Silva e Oliveira, e outros mais, todos filhos da América, valendo-se para seduzir a outros do Alferes (pago) Joaquim José da Silva Xavier; e que o dito Gonzaga havia disposto da forma seguinte: que o dito Coronel Alvarenga havia mandar 200 homens pés-rapados da Campanha, paragem onde mora o dito Coronel; e outros 200, o dito Padre José da Silva; e que haviam de acompanhar a este vários sujeitos, que já passam de 60, dos principais destas Minas; e que estes pés-rapados, haviam de vir armados de espingardas e facões, e que não haviam de vir juntos para não causar desconfiança; e que estivessem dispersos, porém perto da Vila Rica, e prontos à primeira voz; e que a senha para o assalto haviam ser cartas dizendo tal dia é o batizado; e que podiam ir seguros porque o comandante da Tropa Paga, Tenente-coronel Francisco de Paula, estava pela parte do levante e mais alguns oficiais, ainda que o mesmo sargento-mor me disse que o dito Gonzaga e seus parciais estavam desgostosos pela frouxidão que encontravam no dito comandante e que, por essa causa, se não tinha concluído o dito levante.
E que a primeira cabeça que se havia de cortar era a de V.Excia.; e depois, pegando-lhe pelos cabelos, se havia de fazer uma fala ao povo que já estava escrita pelo dito Gonzaga; e para sossegar o dito povo se havia levantar os tributos; e que logo passaria a cortar a cabeça do Ouvidor dessa vila, Pedro José de Araújo, e ao Escrivão da Junta, Carlos José da Silva, e ao Ajudante-de-Ordens Antônio Xavier; porque estes haviam seguir o partido de V. Excia.; e que, como o Intendente era amigo dele, dito Gonzaga, haviam ver se o reduziam a segui-los; quando duvidasse, também se lhe cortaria a cabeça.
Para este intento me convidaram e se me pediu mandasse vir alguns barris de pólvora, o que outros já tinham mandado vir; e que procuravam o meu partido por saberem que eu devia a Sua Majestade quantia avultada; e que esta logo me seria perdoada; e quê, como eu tinha muitas fazendas e 200 e tantos escravos, me seguravam fazer um dos grandes; e o dito sargento-mor me declarou vários entrados neste levante; e que se eu descobrisse, se me havia tirar a vida como já tinham feito a certo sujeito da Comarca de Sabará. Passados poucos dias fui à Vila de São José, aonde o vigário da mesma, Carlos Correia, me fez certo quanto o dito sargento-mor me havia contado; e disse-me mais: que era tão certo que estando o dito pronto para seguir para Portugal, para o que já havia feito demissão da sua igreja a seu irmão, o dito Gonzaga lhe embaraçara a jornada fazendo-lhe certo que com brevidade cá o poderiam fazer feliz, e que por este motivo suspendera a viagem.
Disse-me o dito Vigário que vira já parte das novas leis fabricadas pelo dito Gonzaga e que tudo lhe agradava menos a determinação de matarem a V. Excia.; e que ele, dito Vigário, dera o parecer ao dito Gonzaga que mandasse antes a V. Excia. botá-lo do Paraibuna abaixo e mais a Senhora Viscondessa e seus meninos, porque V. Excia. em nada era culpado e que se compadecia do desamparo em que ficavam a dita senhora e seus filhos com a falta de seu pai; ao que lhe respondeu o dito Gonzaga que era a primeira cabeça que se havia de cortar porque o bem comum prevalece ao particular e que os povos que estivessem neutros, logo que vissem o seu General morto, se uniriam ao seu partido.
Fez-me certo este Vigário, que, para esta conjuração, trabalhava fortemente o dito Alferes Pago Joaquim José, e que já naquela comarca tinha unido ao seu partido um grande séquito; e que cedo havia partir para a capital do Rio de Janeiro a dispor alguns sujeitos, pois o seu intento era também cortar a cabeça do Senhor Vice-Rei; e que já na dita cidade tinham bastante parciais.
Meu senhor, eu encontrei o dito Alferes, em dias de março, em marcha para aquela cidade, e pelas palavras que me disse me fez certo o seu intento e do ânimo que levava; e consta-me, por alguns da parcialidade, que o dito Alferes se acha trabalhando este particular e que a demora desta conjuração era enquanto se não publicava a derrama; porém que, quanto tardasse, sempre se faria.
Ponho todos estes tão importantes particulares na presença de V. Excia. pela obrigação que tenho de fidelidade, não porque o meu instinto nem vontade sejam de ver a ruína de pessoa alguma, o que espero em Deus que, com o bom discurso de V. Excia., há de acautelar tudo e dar as providências sem perdição de vassalos. O prêmio que peço tão somente a V. Excia. é o rogar-lhe que, pelo amor de Deus, se não perca a ninguém.
Meu senhor, mais algumas coisas tenho colhido e vou continuando na mesma diligência, o que tudo farei ver a V. Excia. quando me determinar. Que o céu ajude e ampare a V. Excia. para o bom êxito de tudo. Beijo os pés de V. Excia., o mais humilde súdito.

 Joaquim Silvério dos Reis, Coronel de Cavalaria dos Campos Gerais.

 Borda do Campo, 11 de abril de 1789.


Texto do sócio Rogério Paiva
Apresentado em reunião, dia 16 de março de 2014.