20.2.20

A representação da Santíssima Trindade e sua Imagem em Tiradentes



Texto de Olinto Rodrigues dos Santos Filho 


No primeiro milênio do cristianismo não havia representação de Deus ou da Santíssima Trindade, restringindo-se à figura de Cristo. Santo Irineu disse que “o visível do Pai é o Filho e o invisível do Filho é o Pai”. Santo Irineu morreu em 202 e foi bispo de Lyon. As primeiras representações de Deus Pai aparecem no século XIII, já em forma de ancião, em referência ao Deus de Israel, Senhor do Tempo e baseado na visão de Daniel (cp. 7, 9): “do antigo dos dias”. Assim, em toda a Idade Média, Deus Pai foi representado e aparecera no séc. XIV e XV em Portugal a representação da Trindade com o Deus Pai ancião, tendo a pomba representando o Divino Espírito Santo sobre o peito. E, entre as pernas, à frente, a figura de Cristo crucificado, como se vê na capela da Santíssima Trindade, da Sé de Braga, a mais antiga catedral portuguesa.

figura 1


Uma das representações mais queridas da Santíssima Trindade vem da Igreja Ortodoxa Russa. Trata-se do ícone de Rublev, atribuído à Andrei Rublev (1360-1427/1430), em que a Trindade é representada por três anjos diferenciados pelas cores de suas vestes (azul, carmesim e verde). As três figuras aparecem assentadas em torno de uma mesa com um prato, tendo ao fundo uma árvore e uma construção. A cena se refere à visão que teve Abrãao nos carvalhos de mambré, conforme descrito no Livro do Gêneses, capítulo 18, versículos 1-8. A Igreja ocidental, na verdade, não assume essa representação anteriormente ao século XX. 



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figura 2

figura 3


O Concílio de Trento (1563) deixou a critério dos Bispos definir se era útil ou nociva à fé as imagens de Deus existente e a sua produção. Em 1621 o  Papa Urbano VIII condenou a representação da Trindade Tricéfala, ou seja, uma figura com três cabeças. Já o papa Bento XIV (1740-1758) não recomenda as Três Pessoas no seio da Virgem Maria e as três Pessoas Iguais, e diz tolerar as imagens em que o Pai aparece em forma de homem idoso, o Filho no seio e o Espirito Santo em forma de Pomba no meio dos dois, o que de certa forma está representado em Tiradentes.

      

figuras 4 e 5

Outra representação tolerada por Bento XIV é a do Pai e Filho, lado a lado, separados por uma pequena distância, e a Pomba no meio Deles, o que se verifica nos forros e arremates de retábulos das igrejas mineiras. Não se faz restrição à representação das Pessoas separadas e à retirada da Pomba do Espírito Santo, como afirmou o papa em carta ao arcebispo de Augsburgo em 1744.


figuras 6 e 7


figura 8
  

No Brasil, como todas as igrejas são posteriores ao Concílio de Trento, as representações encontradas são as recomendadas pela igreja através dos papas. Geralmente a Trindade é representada em pintura, corando a Virgem Maria no céu, cujo exemplo mais próximo que temos é o da Capela de Nossa Senhora da Penha de França do Bichinho. A representação, via de regra, traz Deus Pai à esquerda, em forma de ancião, de longas barbas brancas, vestido de túnica e manto, tendo sobre a cabeça o delta místico (Triangulo equilátero) ou a tiara papal, como no forro da Basílica do Bom Jesus do Matozinhos de Congonhas, tendo na mão um cetro real e podendo ter o globo terrestre em uma mão ou aos pés. A figura do Filho é representada sem-nua envolta em manto geralmente vermelho, apresentando os estigmas nos pés, mãos e peito e segurando na mão direita uma cruz. Está à direita do Pai (ad déxteram Patris) e, ao centro, paira sobre Eles a Pomba Branca entre raios luminosos, como aparece descrita nos evangelhos, no batismo de Cristo.


      

figuras 9 e 10

Mais ou menos a mesma representação aparece em escultura nos coroamentos de retábulos de igrejas importantes, como na Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto, na Igreja de São Francisco de Ouro Preto (obra do Aleijadinho), na Igreja de São Francisco de São João del Rei, na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Jaguara (atualmente, na Igreja do Pilar de Nova Lima), na Igreja de São José em Ouro Preto. Em algumas igrejas aparecem apenas o Pai e o Espírito Santo, pois a Trindade é completada pelo Cristo Eucarístico no Sacrário, como é o caso da Matriz do Pilar de São João del Rei e de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Caeté e da Capela do Mosteiro de Macaúbas em Santa Luzia.  



 
figuras 11 e 12

Igrejas dedicas à Santíssima Trindade foram poucas, tanto em Portugal como no Brasil. Houve no Rio de Janeiro uma Paróquia dedicada à Santíssima Trindade no lugar denominado Japiubá, instituída ainda no século XVII, cujas imagens do Pai e do Filho ainda subsistem em coleção particular, não sendo localizado o divino. Existe ainda em Angra dos Reis uma imagem em uma capela onde estão representados Pai e Filho lado a lado e o Espírito Santo ao centro, sobre eles.


  



figuras 13 a 15


O caso da cidade de Trindade, em Goiás, próximo a capital, trata-se de culto mais recente (1840) e iconografia diversa. Consta que um lavrador encontrou um medalhão circular no meio da terra, em terra cota, onde estava representada a coroação da Virgem Maria no Céu pela Santíssima Trindade, não só a representação da Trindade Santa. Consta da tradição que o lavrador levou a peça para o escultor José Joaquim da Veiga Vale (1806-1874) restaurar, mas este preferiu fazer uma nova peça, por ser a original muito rústica. Daí surgiu a imagem que se venera em Goiás, bem entrado o século XIX.







figuras 16 à 19

Ainda no centro-oeste, existiu a Vila Bela da Santíssima Trindade, antiga capital do Mato Grosso, cuja igreja ruiu, quase nada restando além das ruínas tombadas. Contudo, parece que tenha sobrevivido a imagem da Santíssima Trindade representada por Pai e Filho assentados lado a lado e o Espírito Santo pairando sobre eles, ao meio.

  


    

figuras 20 à 23



A Trindade em Tiradentes


O culto

O Culto à Santíssima Trindade, na antiga Vila de São José do Rio das Mortes, hoje cidade de Tiradentes, deve-se ao ermitão Antônio Fraga (?-1794), indivíduo certamente de origem portuguesa que, por volta de 1774, resolveu construir uma capela dedicada à Santíssima Trindade com esmolas por ele recolhidas em toda a Comarca do Rio das Mortes. Para tal, obteve provisão régia autorizando a construção em 1776, mas a obra já estava em andamento. Este ermitão manteve o culto até a sua morte, em 26 de fevereiro de 1794, passando posteriormente a outros ermitães.


figura 24


Durante muito tempo foi a única igreja dedica à Santíssima Trindade na Capitania e depois Província de Minas Gerais. Em 1810 o então administrador da capela, o Sargento Mór João Antônio de Campos resolve contruir um templo novo, maior e, para isso, procede a demolição da capela original. A obra se arrasta por todo o século XIX, passando por ampla reforma nos anos de 1930 e 1940 sob a administração do Padre José Bernardino de Siqueira (1892-1976). Em 1853 foi criada a Confraria da Santíssima Trindade, com estatuto em 23 capítulos sob a proteção da Virgem das Dores, para administrar a igreja e promover o culto.  Data dessa época a Festa da Santíssima Trindade, como consta no compromisso. Uma das funções da Confraria seria construir e manter um hospital, o que nunca foi realizado.

Festas e celebrações



   

figuras 25 e 26

A festividade da Santíssima Trindade deveria ser no dia próprio, “com toda a pompa”, no primeiro domingo após o Pentecostes, com novena, matinas na véspera, missa solene cantada com o Santíssimo exposto, sermão e procissão. Além dessa festa, deveria serem feitas as festas: São João da Mata, no dia 17 de dezembro; Nossa Senhora das Dores, no dia 15 de setembro; além de missas nos dias de Santo Estêvão e São Domingos e nos dias Santos. Na primeira sexta-feira da Quaresma a confraria celebrava o Jubileu com confissões, missa e rasoura do Senhor Bom Jesus. Atualmente só se celebra a Festa da Santíssima Trindade, precedida de novenário, que foi confundida com o Jubileu. Em 1962, o primeiro bispo da Diocese de São João del Rei, Dom Delfim Ribeiro Guedes eleva a capela à Santuário Diocesano, o primeiro da nova Diocese criada em 1960.





  
      



figuras 27 e 28

Iconografia

A Trindade de Tiradentes é representada por duas figuras juntas e uma separada. A figura de Deus Pai ou Deus Padre é representada por um ancião de longas barbas grisalhas, cabelos longos, assentado sobre um trono de nuvens em alusão ao céu. Veste túnica longa e um manto preso sobre o peito. Traz sobre a cabeça a tiara ou tríplice coroa representando Pai, Filho e Espírito Santo, como a tiara papal, sem a cruz. Calça sapatos vermelhos fechados, como os do papa. Tem sobre o peito uma Pomba representando o Espírito Santo e traz os braços flexionados com as mãos espalmadas para cima em sinal de benção. Antigamente tinha sobre a tiara um delta místico de prata (resplendor triangular), hoje desaparecido.


figura 29

O Filho é representado como cristo crucificado sobre o madeiro, coroado de espinhos e vestido apenas com um “perizonium” e está completamente solto e distante da imagem do Pai, mas se completando quando vistos do corpo da igreja (nave ou capela-mor).

Em forma de uma Pomba Branca, como na aparição bíblica no batismo de Cristo. A Pomba Branca representa o Espírito Santo por ser doce e não ter o fel. Há na igreja uma imagem do Divino Espírito Santo que se encaixa tanto sob o peito do Pai Eterno quanto num círculo raiado no andor.

Origens da representação

Podemos supor que a representação de Deus Pai venha da iconografia e indumentária dos pontífices medievais, a julgar-se pela túnica e capa, pela tiara tríplice e pelo sapato vermelho. A inspiração também poderá ter vindo das gravuras de páginas de rosto dos missais setecentistas, em que a figura alegórica da igreja é representada como um papa com capa e tiara, podendo ter sido vista pelo artista executor, uma vez que os missais eram comuns em todas as igrejas. Em Tiradentes estão hoje recolhidos no museu da liturgia. Mas, a mais forte fonte de inspiração seriam as pequenas imagens de pedra ou madeira datadas dos séculos XIV e XV existentes nas capelas e igrejas do norte de Portugal, e principalmente na representação trinitária em escultura da capela da Santíssima Trindade da Sé Catedral de Braga, obra em madeira policromada e dourada, de execução setecentista. Aqui o Pai é representado assentado com anjos aos seus pés, vestido de túnica branca e manto vermelho, mostrando longas barbas e tendo a cabeça coberta por tiara, tendo o Espírito Santo em forma de Pomba no peito, e com as duas mãos segura a trave horizontal da cruz, onde está Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A cidade de Braga foi o grande centro exportador de pessoas para as Minas Gerais, assim como de artífices e peças de imaginária.

Dados técnicos e estilísticos

A imagem do Pai Eterno foi esculpida em cedro rosa (cedrela fissilis) da região, em um só bloco escavado (oco), com tampa nas costas, pequenas partes acrescidas. As mãos são esculpidas em separado e encaixadas, a cabeça apresenta um corte para a introdução de olhos de vidro fixados com cera. A peanha é madeira recente pintada de vermelho. Tem policromia em douramento total, com base de gesso e cola, técnicas de esgrafiado e punção, em tons brancos e acinzentados. A padronagem é rica em motivos florais, ziguezagues, acantos e outros.  A carnação é rósea original. A peça de possível origem local foi esculpida no terceiro quartel do século XVIII por escultor anônimo da escola mineira, tendo na cidade de Tiradentes outras imagens possivelmente do mesmo escultor ou escola. São elas: o Cristo crucificado, parte da Santíssima Trindade; a imagem de São José da mesma igreja; a imagem de Nossa Senhora das Mercês e os santos Pedro Nolasco e Raimundo Notato, todos da igreja de Nossa Senhora das Mercês; a imagem de São Francisco de Paula, de sua capela; e a imagem de São Brás, da igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Trata-se de imagem de porte grande, em posição frontal, um tanto estática em sua majestade, com o nariz reto e fino, olhos com as pálpebras saltadas, sobrancelhas finas e retas, boca com lábios finos, pouco carnudos e faces bem definidas. As barbas são longas em cascata sinuosa. Os dedos são longos e separados, com articulações marcadas e as unhas de corte reto. O panejamento é pouco movimentado, um tanto colado no corpo, mas com rica policromia.

Importância da Imagem e do Culto

O Culto à Santíssima Trindade em Tiradentes data, portanto, de pelo menos 1775, sendo o mais antigo em Minas Gerais. Durante muito tempo foi a única igreja dedicada à Santíssima Trindade em Minas Gerais. A devoção e o culto à Trindade é portanto muito anterior a devoção à Trindade Surgida em Goiás por volta de 1840. A imagem de Deus Pai, com o Espírito Santo no peito e o Cristo Crucificado à frente, está de acordo com as orientações dos santos padres e com os documentos da Santa Igreja. Também é a única nessa representação em Minas e, talvez, no Brasil, daí a sua raridade, além da belíssima obra de arte de cunho rococó mineiro.



  


  

figuras 30 a 32

É sua igreja um Santuário Diocesano, portanto o culto foi incentivado pelo primeiro bispo diocesano, Dom Delfim Ribeiro Guedes, que passou a comparecer e pregar no tríduo solene e celebrar a missa da Festa da Trindade no horário das 10 horas, além de ter composto uma oração própria.




figura 33



O triângulo equilátero que representa a Santíssima Trindade e está representado em relevo na fachada do Santuário inspirou Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792), para constituir o elemento principal da bandeira do movimento revolucionário conhecido como Conjuração Mineira, conforme consta nos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira. A bandeira dos inconfidentes, após a proclamação da república, passou a ser a bandeira oficial do Estado de Minas Gerais, inicialmente com triângulo verde e, atualmente, na cor vermelho sangue em alusão ao sangue do mártir Tiradentes.



figura 34



figura 35

Anexo

CERTIDÃO DE ÓBITO DE ANTÔNIO FRAGA
Livro de Óbitos nº 5 folhas 271
"Aos vinte e seis dias do mez de fevereiro do anno de mil setecentos e noventa e quatro faleceu da vida presente com todos os sacramentos Antonio Fraga Ermitão e administrador da capella da Santíssima Trindade nos subúrbios desta Villa de São Joseph da qual foi autor de idade que mostrava seu mayor de oitenta anos solteiro parecia ser natural do Reyno de Portugal porem não pode em tempo algum saber-se de que parte nem de quem era filho por ele nunca querer declarar não obstante e ser lhe perguntado algumas vezes: viveu e morreu na opinião de muito vituoso segundo o que se via: e aos vinte oito dias do mez e ano foi por mim encomendado e acompanhado e de todos os sacerdotes d'esta Villa e seos subúrbios sacristaens e cruz da fábrica e irmandades d'esta Villa a saber: do Santíssimo Sacramento, do Senhor dos Passos, do Senhor Bom Jesus do Descendimento, de Nossa senhora do Rosário, de Nossa Senhora das Mercês, de São Miguel e Almas e São João Evangelista, e da confraria de Nossa Senhora do Terço amortalhado no hábito de São Francisco conduzido em caixão pelos cidadãos da Villa e sepultado dentro da matriz de santo Antônio da ditta Villa de São Joseph na capella Mor em cova de número dez: consta que todos os reverendos sacerdotes dicerão Missa de corpo prezente e juntamente officio da sepultura por ser terceiro professo na Ordem Terceira da Penitência de São Francisco: tudo se Ihe fez pelo amor de Deus: não fez testamento nem consta que tivesse de que por não possuir couza própria do que para constar mandei fazer este assento que por verdade assignei
O vigário Manoel Gomes de Souza”

Transcrito da cópia impressa no programa da festividade da Santíssima Trindade referente ao ano de 1920, por ter o livro nº 5 de óbito desaparecido.




Figuras:
1 - Igreja da Trinità dei Monte
2 - Ícone de Rublev, Moscou.
3 - gravura popular, século XX, representando a Trindade com Três Figuras Iguais.
4 e 5 - fachada e retábulo da Igreja da Santissima Trinità dei Pellegrini, em Roma.
6 e 7 - Trindades do Coroamento dos retábulos das Igrejas de São Francisco de São JDR (projeto de Aleijadinho e execução de Luis Pinheiro de Souza)  e de Ouro Preto (autoria de Aleijadinho). 
8 - Portada da Igreja de N. S. do Carmo de SJDR, Pai Eterno de autoria de Aleijadinho (fotografia de David Nascimento para a exposição O Aleijadinho na Região das Vertentes).
9 e 10 - Tarjas de forros representando a coroação da Virgem Maria pela Santíssima Trindade. Igrejas de N. S. da Penha de Vitoriano Veloso (Prados) e Santuário do Bom Jesus do Matozinhos de Congonhas. 
11 e 12 - Imagens de Deus Pai e Deus Filho procedentes da antiga paróquia da Santíssima Trindade da Baixada Fluminense. Hoje em coleção particular.
13 à 15 - Trindade de Goiás: fachada lateral da Matriz, medalhão de terracota que deu origem à devoção e "santinho" em gravura popular do início do séc. XX.
16 à 19 - Imagens da Santíssima Trindade, sécs. XV e XVI, pertencentes à capelas e igrejas do norte de Portugal.
20 à 23 - Vila Bela da Santíssima Trindade: ruínas da matriz, fotos antiga e atual, prospecto para a construção da igreja, imagem da Santíssima Trindade remanescente do acervo.
24 - imagem em pedra ansã, séc. XV, de origem portuguesa.
25 e 26 - Programa da Festa da Santíssima Trindade em 1920, acervo do autor.
27 e 28 - Imagens de N. S. das Dores, Portugal séc. XVIII e Imagem de São João da Mata, séc. XX.
29 - retábulo e imagem da Capela da Santíssima Trindade, séc. XVIII, em madeira cromada e policromada, localizada na Sé de Braga, Portugal.
30 à 32 -  Imagens de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, em madeira douradas e policromadas, fins do séc. XVIII, esculpidas em Minas Gerais, pertencentes ao Santuário da Santíssima Trindade de Tiradentes.
33 - Delta místico, triângulo equilátero, representando a Santíssima Trindade com o olho da Onividência de Deus, aposto na fachada da Santíssima Trindade de Tiradentes, feito em argamassa. 
34 e 35- Santuário da Santíssima Trindade: foto das imagens da Trindade montada em frente ao para vento da igreja, década de 1930, foto de André Belo, acervo do autor. Imagem de Deus Pai conduzida em andor na procissão, do livro "Retrato de Tiradentes", de Lélia Coelho Frota.


10.2.20

302 anos de Tiradentes: é preciso ‘ouvir’ seus arquivos e fazer pesquisas



David I. Nascimento
sócio do IHGT


“O taubateano João de Siqueira Affonso, depois da descoberta do Sumidouro, que foi o terceiro arraial das Minas, caminhou doze léguas para o Sul e descobriu as minas do Guarapiranga, hoje cidade de Piranga. Não satisfeito com esses descobrimentos, João Affonso, que pretendia, como rezam as crônicas, rivalizar-se com o coronel Salvador Fernandes, veio ter a Ponta do Morro e fez as descobertas das minas de São José...”

Assim começa o texto de Herculano Veloso sobre as “Ligeiras Memórias da Vila de São José”. Obviamente, Herculano Veloso não é um senhor que, por motivos desconhecidos, teria presenciado, ele próprio, a descoberta do ouro em 1702. Nem tão pouco festejou a elevação do Arraial Velho do Rio das Mortes à categoria de Vila, em 19 de janeiro de 1718, a partir do ato de D. Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos, o então Conde de Assumar. Ainda hoje, é possível que muitos desconheçam a história e os personagens que deram origem ao povoamento do “lado de cá” ou do “lado de lá” do Rio das Mortes e ao estabelecimento da região. Conde de Assumar e Alorna? Tomé Portes d’El-Rey? João de Siqueira Affonso? Quem?... Contudo, basta abrir um ou outro livro, cuidadosamente composto por palavras e datas, para se ater com a dívida que todos nós possuímos com Herculano Veloso e outros tantos pesquisadores dedicados aos arquivos empoeirados e abandonados. Arquivos esses que, acreditem ou não, já foram tratados como se fossem tijolos, jogados de mãos e mãos... e transportados como se fossem papéis velhos a caminho de um aterro sanitário. As janelas deste casarão já o testemunharam.

Expostas essas considerações, cabe dizer que Herculano Veloso faleceu poucos dias após completar 79 anos, em 4 de setembro de 1941. É preciso reafirmar sua condição de ser efêmero para que seja possível responder uma questão:  de que modo Herculano Veloso pôde escrever seu livro sobre a criação da Vila de São José, hoje cidade de Tiradentes? A resposta é simples: a partir da pesquisa que os documentos, que os arquivos, permitem. Os arquivos falam silenciosamente. É preciso dedicar-lhes atenção. Observá-los. Tentar descrevê-los. Algumas vezes, identificar autores, decifrar letras, ligar os pontos de um e outro arquivo. Essa é a tarefa que muitos pesquisadores tomam para si. Assim é que o pesquisador se tornou seu amigo e confidente. Mas não muito confidente, e nem o poderia ser, pois pagaríamos com o preço do esquecimento.

Voltando ao povoamento da região do Rio das Mortes... Por um lado, a recém criada Vila de São José divisava seu território com a Vila de São João del Rei. Por outro, na década de 1750, o território da Vila de São José chegava a divisar com a Capitania de Goiás, “estendendo-se o seu território até o rio Paraíba” (VELOSO, 2013, p. 70), indo até onde hoje é encontrada a cidade de Bambuí. Pela descoberta do ouro que fez com que a Vila de São José prosperasse, ela cresceu em número de habitantes e comércios. Da mesma forma, a crescente povoação em localidades fora da sede e a diminuição do ouro levaram ao declínio do seu território. Assim, a Villa de São José perdeu vários de seus arraiais e, aos poucos, também seu poder político e econômico.

Conforme comenta Olinto Rodrigues, “no extremo da decadência, o município de São José foi suprimido pela Lei Provincial n° 360, de 30 de setembro de 1848, sendo restaurado um ano depois pela Lei 452, de 20 de outubro de 1849”. Dito de outro modo, durante um ano São José del Rei perdeu seu status e voltou a ser de responsabilidade de São João del Rei, a quem pertencia antes de se tornar vila. Com a decadência e “emigração” das famílias abastadas (que foram investir nas plantações de café), a Vila de São José manteve parte de suas construções antigas, o traçado de suas ruas e um modo singular de existência. Por certo tempo, somavam-se a isso os problemas de transporte, a inexistência de água encanada e luz elétrica.

De tempos em tempos, alguma brisa soprava e se enveredava entre as paredes imponentes da Serra São José e corria junto às margens do Rio das Mortes. A brisa seguia ou ia contra as águas, levava para um lado ou para o outro, fazia algo se transformar e a Vila ganhava novo fôlego... assim foi que, em 7 de outubro de 1860, a Vila de São José del Rei tornou-se cidade. Mas os ventos das grandes transformações tinham seu próprio tempo.

Levou mais algum tempo até que os transportes pelo Rio das Mortes ou pelos trilhos da Estrada de Ferro Oeste de Minas viessem a se concretizar. Levou mais quase meio século para que, com a campanha republicada e o uso da figura de Joaquim José da Silva Xavier, o mártir da Inconfidência, a cidade passasse a se chamar Tiradentes, em 6 de dezembro de 1889, logo após a Proclamação da República. Foi preciso ainda mais algumas décadas para que “o conjunto ‘arquitetônico e urbanístico’ da cidade de Tiradentes” fosse tombado em 20 de abril de 1938; foi ainda preciso mais outras tantas décadas para que a cidade fosse descoberta pelo turismo, que trouxe consigo um novo aquecimento de sua economia e, também, a conhecida especulação imobiliária da cidade. Então veio o “esvaziamento” (humano) de seu centro e a perda de parte de sua identidade. Com dificuldade, a conservação da cidade passou a enfrentar o crescimento desordenado e transformação mobiliária.

(como lembrou o sócio Rogério Paiva em uma de suas crônicas mais irônicas e, ao mesmo tempo, tristes, nem mesmo o pobre Cabloco D’Água foi poupado... ele já não faz mais seus passeios pela Viturina: “o Caboclo d'água, certamente sentindo-se abandonado, num dos mergulhos no Rio das Mortes, desapareceu para sempre...”).

Portanto, o que se comemora nesse 19 de janeiro é bem mais que o aniversário de 302 anos de uma cidade, mas também a vida e a morte de tantos ilustres e desconhecidos que fizeram e continuam fazendo parte dela... ainda que suas memórias só sobrevivam nos costumeiros causos. Um Francisquinho do Bar aqui; uma Tunica ali; um Valente (e seu caminhão velho) acolá; uma Sá Cota Veloso por algum lugar... e, claro, o Vicente Veloso (Bolas Pelotas), em cada pedacinho das ruas pelas quais correu atrás daqueles que não falavam sua língua.

Aliás, em outro 19 de janeiro (desta vez, do ano de 1977), comemora-se outro “nascimento”. Nessa data, com o decreto municipal n°200, assinado por Josafá Pereira, foi fundado o Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes. Entre seus membros à época, deve ser destacada a figura ímpar do sócio Eros Miguel da Conceição, cuja capacidade, cuidado e inventividade atestam a falta que ele nos faz, constantemente. Desde sua criação, foram feitas inúmeras exposições, concursos, palestras e sessões solenes. Foram inúmeros os sócios que vieram e que se foram. Pessoalmente, se me fosse pedido para resumir o IHGT eu não o poderia fazer sem citar o artigo 2° de seu Estatuto: “promover estudos e investigações relativas à história, geografia, etnografia, arqueologia e ecologia...”; “divulgar e defender o acervo histórico e paisagístico da região...”; “promover cursos, conferências, seminários, mesas redondas-, oficinas, exposições e trabalhos de campo sobre os assuntos de seu interesse”; “manter publicação para divulgar trabalhos e documentos históricos referentes ao município de Tiradentes e à região do Rio das Mortes, e que representem o fruto de estudos e pesquisas do IHGT”;... para citar alguns de seus itens. Para dizer “a verdade”, o estatuto do IHGT traz consigo nobres iniciativas que nos últimos tempos têm sido perseguidas pelas posições obscurantistas. Sobretudo, o incentivo à pesquisa e a promoção da cultura e educação deviam ser constantes, não apenas em nossa instituição. Mas, infelizmente, mesmo com os cortes de gastos sofridos pelas universidades, mesmo com as críticas erigidas às artes e cultura, muito pouco tem sido dito pelas autoridades que deveriam ter a obrigação de fazê-lo. Não adianta nos reunirmos em comemoração ao aniversário da cidade e do IHGT se não nos solidarizamos com tantos estudantes, pesquisadores, professores e funcionários de instituições como a UFSJ, por exemplo. Torna-se uma comemoração vazia, visto ser justamente por meio das defesas e incentivos a cultura, arte, educação e pesquisa que a cidade e o IHGT podem afirmar suas histórias e identidades.

Ainda sobre o IHGT, graças à cooperação com outras entidades (como reza seu estatuto), ele pôde ofertar à cidade de Tiradentes um dos mais importantes presentes nos últimos dez anos: o Plano Diretor. Este, se bem observado, pode levar a cidade à tantas outras comemorações... tratando, seu povo com justiça e cuidado. Possibilitando o crescimento que não descaracterize a cidade e não agrida seus bens históricos e ambientais. Com isso, é preciso reconhecer que o Plano Diretor não pode se tornar um arquivo empoeirado, esquecido e ouvido por poucos. Fazê-lo gritar e ser ouvido é uma das formas de homenagear e parabenizar os aniversariantes do dia, IHGT e Tiradentes.


Dedicado aos sócios Lucy Fontes Hargreaves, Olinto R. dos Santos Filho e Rogério Paiva.


Referências Bibliográficas

SANTOS FILHO, Olinto Rodrigues dos. Guia da Cidade de Tiradentes: História e Arte. 3ª ed. Belo Horizonte: Paulinelli, 2012.
SANTOS FILHO, Olinto Rodrigues dos. A Matriz de Santo Antônio em Tiradentes. Brasília, DF: IPHAN/Monumenta, 2010.
SANTOS FILHO, Olinto Rodrigues dos. Tiradentes: Monumentos preservados. Tiradentes: IHGT, 2015.
VELOSO, Herculano. Ligeiras Memórias da Vila de São José nos tempos coloniais. 3ª ed. Tiradentes: Editora IHGT, impresso na Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, 2013.



5.7.19

Efemérides de junho de 2019



Luiz Antonio da Cruz



Procissão de Corpus Christi, Rua Direita, década de 1940.





2 DE JUNHO DE 1753 – No Senado da Câmara de Vila Rica, por parte de Simão Martins reclamava, como capitão-do-mato, o pagamento de seis oitavas de ouro “a que tinha direito”, por ter morto em resistência a Manuel Ganguela, escravo de Manuel Tomás da Silva Carmo, exibindo documento assinado pelo então juiz ordinário, Manuel Manso da Costa Reis, em que provava ter apresentado ao referido juiz a cabeça de Ganguela.

Naquele tempo havia grande número de escravos fugidos e que formavam quilombos e atacavam os viandantes e em consequência da enorme mineração de ouro nas cercanias de Vila Rica.

O Senado exigiu a informação do escrivão da Câmara, do procurador que afirmavam verdadeiro o alegado. Simão Martins, que aos 28 dias do mês de junho do mesmo ano jurou que realmente matara o dito negro, então, o Senado da Câmara ordenou o pagamento.

9 DE JUNHO DE 1715 – Foi criada a 5ª vila mineira, a Vila de Pitangui, por ordem do Governador D. Brás Baltazar da Silveira. As três primeiras criadas foram em 1711, Vila Rica, Vila do Ribeirão do Carmo e Vila Real de Sabará. Em 1713 foi criada a Vila de São João del-Rei. São José, a 6ª vila mineira, foi criada três anos depois, em 1718.

10 JUNHO DE 1842 – Revolução (longa enumeração de abusos, fraudes, tropelias e violência da administração pública) – Na cidade de Barbacena o movimento político durou cerca de dois meses e dez dias e convulsionou parte da província de Minas Gerais. Dessa revolta, há um curioso registro de entrincheiramento da Rocinha da Negra e após ligeiro tiroteio, foram desalojados os insurgentes a 5 de julho, pela 1ª coluna das forças legais. A Rocinha da Negra pertenceu ao Alferes Tiradentes.

13 DE JUNHO 1790 – Padre Toledo estava preso na Fortaleza da Ilha das Cobras e foi interrogado pela quinta vez.

13 DE JUNHO – Dia de Santo Antônio - Padroeiro de TIRADENTES, LISBOA e PÁDUA. Ele nasceu em Lisboa, 15 de agosto de 1195 e faleceu em Pádua, 13 de junho de 1231. Foi batizado como Fernando, é Doutor da Igreja - sua vida religiosa era filiada à Ordem dos Cônegos Regulares da Santa Cruz, que seguiam a Regra de Santo Agostinho, no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa. Ao se tornar franciscano, em 1220, viajou muito, vivendo em Portugal, Itália e França e retornou finalmente à Itália, onde encerrou sua carreira em Pádua. É um dos santos mais populares do Brasil. SANTO FORTE e das causas impossíveis, essa é uma das orações mais antigas:


Que milagres quer achar contra os males do demônio?
Busque logo Santo Antônio, que logo o irás encontrar.
Aplaca a fúria do mar, tira os presos da prisão,
ao doente torna são e o perdido faz achar.
E, sem respeitar os anos, socorre a qualquer idade,
abonam esta verdade os cidadãos paduanos!


Infelizmente a festa do Padroeiro de Tiradentes é ofuscada pelo Jubileu da Santíssima Trindade, que a cada ano está mais descaracterizado e sem identidade.

11 DE JUNHO DE 1709 – Posse de Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, Governador das capitanias reunidas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais – fato em decorrência à Guerra dos Emboabas, em que a região do Rio das Mortes assistiu dos de seus episódios, o “Capão da Traição”.

18 DE JUNHO DE 1744 – A Câmara da Vila de São José tomou posse do “lugar e districto do descubrimento de Tamandoá e seo Arrayal de Sam Bento” – ocorreram diversos conflitos entre o povo de Tamanduá e São José. Padre Toledo saiu em defesa de São José e enfrentou o povo da localidade.

20 DE JUNHO – Celebração de Corpus Christi. A procissão do Corpo de Deus em Tiradentes foi fotografada em alguns anos da primeira metade do século XX, são imagens elementares para que possamos compreender a situação de conservação do conjunto arquitetônico local, bem como registros memoráveis do Patrimônio Humano.

21 DE JUNHO 2019 – Por iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes, realizar-se-á a exposição “A modernidade de Roberto Burle Marx em Tiradentes”.

27 DE JUNHO DE 1869 – Primeira estrada de ferro em Minas Gerais, com a assistência do imperador, da imperatriz, do Duque de Saxe e muitas pessoas, trecho da Estrada de Ferro de D. Pedro II, no município de Mar de Espanha.

28 DE JUNHO DE 1720 – Revolta de Felipe dos Santos – Explica-se bem que a Felipe dos Santos, como a Tiradentes 72 anos depois, coubesse a glória de ser a única vítima de pena capital: além de revoltoso, fora ele o braço e a alma do movimento. Em suas cartas a D. João V e ao vice-rei o governador qualifica-o “o mais diabólico homem que se pode imaginar, o agente por quem o povo se movia e que fez coisas inauditas nos motins”.

27 DE JUNHO DE 1789 – Foi preso em Minas Gerais, o Dr. José Álvares Maciel, um dos mais importantes e dos mais simpáticos vultos da Inconfidência Mineira.

30 DE JUNHO DE 1791 – Acareação dos inconfidentes José Resende Costa e José Resende Costa Filho, no Rio de Janeiro.

30 DE JUNHO DE 1738 – Casaram-se na Matriz de Santo Antônio da Vila de São José, Domingos da Silva e Antônia da Encarnação Xavier – os pais do Alferes Tiradentes, o vigário na época era o padre José Nogueira Ferraz.

Referência:
VEIGA, José Pedro Xavier da. Mineiras Efemérides 1664-1897. Belo Horizonte: FJP1998.
VELLOSO, Herculano. Ligeiras memórias sobre a Vila de São José nos tempos coloniais. Tiradentes: IHGT, 2013.


19.6.19

A modernidade de Roberto Burle Marx em Tiradentes


Luiz Antonio da Cruz*

O multiartista Roberto Burle Marx (1909-1994) nasceu em São Paulo, filho do alemão Wilhelm Marx e da pernambucana Cecília Burle. Bem jovem foi estudar na Alemanha e lá descobriu a beleza das plantas brasileiras. Ao retornar, executou seu primeiro projeto paisagístico, na Praça de Casa Forte, no Recife-PE. Desde então, não parou mais e inovou os jardins públicos e privados do Brasil, ao utilizar plantas tropicais e materiais rochosos. Ao longo da vida, criou mais de dois mil jardins, tornou-se um dos mais consagrados paisagistas internacionais. Pintor, desenhista, gravurista, tapeceiro, ceramista, paisagista e nas horas vagas gostava de cozinhar, ainda era cantor lírico e tocava piano. Burle Marx foi um dos artistas brasileiros mais talentosos e inovadores.


No final da década de 1970, a pedido de Dona Maria do Carmo Nabuco, Burle Marx criou projetos para os largos de Tiradentes: do Rosário, das Mercês, do Chafariz, das Forras, do Sol e para os cemitérios da Matriz de Santo Antônio e de Nossa Senhora das Mercês. Já plenamente consagrado e com centenas de trabalhos paisagísticos realizados, o artista elaborou desenhos singelos para os ambientes setecentistas do núcleo urbano antigo de Tiradentes, evitando intervenções abruptas, utilizando plantas e árvores da região.  Os projetos foram implantados com o apoio financeiro da Embratur. O último, o do Largo das Forras, após readequação, foi implantado com o apoio financeiro da Fundação Roberto Marinho. Sua construção foi a partir de 1989, sob a coordenação da arquiteta Silvia Finguerut e de Luiz Cruz.



Em suas exposições retrospectivas, que circularam no Brasil e no exterior, figuraram os projetos idealizados e executados em Tiradentes.

A mostra A modernidade de Roberto Burle Marx em Tiradentes é uma iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes, com apoio do CCSYA-Centro Cultural Sesiminas Yves Alves, do Instituto Cultural Biblioteca do Ó e do Conselho Municipal de Políticas Culturais e Patrimônio, integra a programação do Festival de Inverno da UFMG, que em parte será realizado em Tiradentes. A exposição é composta pelos desenhos de Burle Marx e fotografias anteriores, algumas durante a execução e outras das obras concluídas; estará aberta no período de 21 de junho a 21 julho. A curadoria é de Luiz Cruz. No dia 11 de julho, às 19 h, no auditório do CCSYA será exibido o longa-metragem Filme Paisagem, sobre a vida e obra de Burle Marx, com direção de João Vargas Penna e em seguida conversa com o diretor do filme. No dia 13 de julho, às 9h, com saída do CCSYA, terá uma visita guiada à exposição e aos largos, Participe!

*Professor e associado do IHGT